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Rhythm Heaven Fever
escrita por Pedro Henrique Lutti Lippe
Fãs do gênero rítmico não são difíceis de agradar, e os desenvolvedores sabem disso. Junte uma batida minimamente envolvente a uma mecânica de controle simplória, porém funcional, e você já pode lançar seu joguinho na AppStore. Sem a necessidade de abusar da criatividade, a maior parte das ofertas da área chega ao mercado sem ousar. E é por isso que Rhythm Heaven brilha, destacando-se na multidão.



Marcando a estreia da série em um console de mesa, Fever não faz muito para diferenciar-se de seus predecessores de Game Boy Advance e Nintendo DS - o que não é necessariamente algo ruim. Exatamente como estes, o jogo consiste em um pacote de "curta-metragens" musicais apresentados com o humor e o charme visual peculiares de Yoshio Sakamoto, que tem como outra de suas crias o igualmente bizarro WarioWare.

Da linha de coletâneas de microgames, Fever herda também sua estrutura. Por não terem relações uns com os outros, os "estágios" do jogo configuram um formato que remete ao daqueles blocos de episódios pilotos de desenhos animados que o Cartoon Network e a Nickelodeon transmitiam nos anos 90. Curiosamente, a apresentação 2D com contornos fortes e muitas cores dos curtas rítmicos também trazem à tona as mesmas memórias nostálgicas. Assim como fazem seus temas. Afinal, um relógio de pulso que funciona a base de high-fives de mini-macacos... É coisa de desenho.



Todos conhecem o controle do Wii por um motivo: seus sensores de movimento. Talvez a maior fonte de discórdia na indústria nos últimos anos, estes sensores. Há um consenso, porém: enquanto faz sentido utilizá-los em jogos como Just Dance, eles ainda não são bons o suficiente para substituir os clássicos botões nos termos da jogabilidade de precisão. Assim, é com um sorriso no rosto que descobre-se que Rhythm Heaven Fever passa longe dos giroscópios e afins. Nele, para acompanhar o ritmo, os jogadores usam apenas o botão A e o gatilho B.

Por depender apenas de botões, Fever é menos divisor de opiniões que Rhythm Heaven, cujos controles pela tela sensível ao toque do DS agradaram a alguns e deixaram outros insatisfeitos. E telvez pelo fato dos botões do Wii Remote serem maiores do que os do Game Boy Advance, o time de desenvolvimento ousou um pouco mais no uso de A e B em Fever do que em Tengoku. Mas não muito: nos esquemas mais complexos de controle, o jogador é obrigado a segurar os dois botões por um certo tempo.

Para a alegria dos que gostam de desafios, a simplicidade dos controles não é indicativa da dificuldade do jogo. É garantido: todos os jogadores encontrarão alguns estágios que os deixarão travados em seu progresso mesmo após várias tentativas. Mas o ponto interessante disso é que é impossível determinar quais serão tais estágios. Cada um tem dificuldade com certas coisas; o que é papinha para você, pode ser um inferno para seu amigo. A variedade entre os curtas é que possibilita isso - eles possuem pistas auditivas e visuais completamente distintas entre si, que podem ou não serem interpretadas com facilidade pelos jogadores.



Infelizmente, existem alguns estágios que ficam à margem desse equilíbrio perfeito na dificuldade, por uma inconsistência entre os visuais e o ritmo. Aqui, dá para apontar alguns nomes: Love Rap, além de ter um tema tosco, ainda é funciona com um timing que nunca faz total sentido; os controles de Shrimp Shuffle parecem ser sensíveis em excesso; e, para capturar os peixes de Catch of the Day, é preciso decorar o tempo entre suas provocações e as fisgadas, já que não há nenhuma pista sonora concreta na qual o jogador possa basear suas ações.

Mas os problemas aparecem apenas em uma minoria das atividades. Em meia-dúzia, talvez, das mais de cinquenta. A maioria esmagadora delas diverte e vicia por razões diversas. Flipper-Flop e Double Date possuem atraem por seus visuais fofos, por exemplo. Enquanto isso, outras como See-Saw e Flock Step brilham por terem ritmos muito envolventes. Há ainda favoritos como Ringside, que chegou até a virar meme na internet, e Cheer Readers, que é simplesmente brilhante.

O que mais surpreende em Rhythm Heaven Fever, porém, é a qualidade de sua tradução para o inglês. No DS, ela foi contestada - aqui, ela é em muitos pontos superior à versão original japonesa. Seus pontos mais altos, inclusive, são os estágios com canções do artista Tsunku com vocais, como o terceiro Remix, Night Walk e Karate Man.



Apesar de ser muito bem executado, Rhythm Heaven Fever ainda é um jogo da Nintendo, e portanto sofre com a falta de algumas opções óbvias e escolhas de design desnecessariamente limitadoras. É inexplicável, por exemplo, a inexistência de um comando "Retry" no menu de pausa ou de uma opção para o ajuste de lag visual em HDTVs, que deveria ser obrigatório por lei em títulos rítmicos. Também não há vantagem alguma em limitar a ação do jogador de forma que apenas estágios marcados aleatoriamente premiem uma performance perfeita com um selo de "Perfect".

Em menos de cinco horas qualquer um é capaz de detonar os cinquenta estágios regulares do jogo com uma performance "passável". Os que ficarem envolvidos ao ponto de buscarem a perfeição, porém, devem se preparar para investir dezenas de horas em treinamento e separar uma boa dose de perseverança. Como extras, existem estágios intermináveis (Endless), atividades bônus, os divertidos Rhythm Toys, e, por fim, variações multiplayer de alguns dos curtas.

Como um fator inédito na série, o modo multiplayer não impressiona. Permitindo a interação de dois jogadores, eles mais parecem experiências single-player paralelas do que disputas competitivas ou desafios cooperativos. Há, porém, uma forma inusitada de divertir-se com eles: um jogador, dois Wii Remotes. Funciona.



A transição para o espaço dos consoles de mesa não inovou a série Rhythm Heaven, mas a rendeu o que talvez seja sua melhor versão. Em termos de conteúdo e de execução, Fever não é sem defeitos, mas a proporção entre pontos altos e pontos baixos é favorável aos jogadores. Os fãs do gênero rítmico, que se satisfazem com pouco, encontrarão um verdadeiro banquete neste que é um dos últimos clássicos do Wii.




8,5


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