Considerando o histórico de localizações tardias que a série Professor Layton possui, não era de se estranhar que Professor Layton and The Last Specter só viesse chegar em território americano no trimestre final de 2011, mas ainda assim, foi um grato alívio saber, em meio à enxurrada de notícias da E3 2011, que o título viria sim para estas bandas. E posso adiantar: valeu a espera.

Professor Layton and the Last Specter é a quarta aventura de Layton no Nintendo DS. Se você não está familiarizado com a série, encontrará aqui um point-and-click com um enredo intrigante e repleto de puzzles. A questão é: O protagonista da história, Hershel Layton, é um professor arqueólogo aficcionado em quebra-cabeças. Sendo assim, tudo no universo criado pela Level-5 é adaptado para exercícios à mente. Clique num personagem e ele lhe passará um puzzle. Clique numa árvore e isso lembrará Layton de um puzzle. Clique no chão e Layton dirá: "Olhe, um puzzle escondido!". Sério. Então se pensar um pouco não for o seu forte, melhor desistir aqui.
Desta vez, a história toma um rumo oposto. Ao invés de continuar de onde Unwound Future parou, The Last Specter dá um passo pra trás na cronologia: O título se passa anos antes de Curious Village, e conta a história de como Layton, que está iniciando sua vida acadêmica conhece seu (futuro) aprendiz, Luke. Tudo começa quando o professor recebe uma carta de um velho amigo da faculdade, Clark Triton, explicando que uma criatura gigante está atacando sua cidade, Misthallery, destruindo casas e ferindo pessoas. Sem pensar duas vezes, Layton parte para investigar o caso.

A história que se desenrola nesta cidade do interior da Inglaterra pode não ser superior ao desfecho da primeira trilogia, mas nem de longe desaponta. É um recomeço pra Layton. Voltar no tempo para contar as aventuras de uma segunda trilogia serviu para dar novos ares à franquia. Você não verá por aqui vários personagens recorrentes dos três primeiros títulos, mas conhecerá novos indivíduos - como Emmy Altava (assistente de Layton) e Clamp Grotsky (inspetor da Scotland Yard) - que, com suas características excêntricas, animarão mais ainda os jogos da série que virão.
Além dos 155 puzzles espalhados pela campanha, Professor Layton and the Last Specter conta com 15 puzzles bônus de dificuldade maior, liberados após a completude de alguns pré-requisitos. É o maior jogo da série até então, exigindo entre 12 e 15 horas para o término apenas da história principal. Acrescente-se ainda aos 3 mini-games sempre presentes, novidades muito bem-vindas na série: Collection e Episodes. O primeiro são itens espalhados nos cenários que devem ser coletados, e o segundo, merecedor de grande destaque, são histórias de personagens secundários paralelos ao enredo principal. Servem muito bem como fator complementador à já excelente trama, e tiram o foco do protagonista por um momento para dar destaque ao universo da série. Já iniciando esta semana, também contribuem para o fator replay puzzles semanais, que podem ser baixados pelo Nintendo Wi-Fi Connection. E a cereja do bolo, o maior fator replay do título: London Life, um jogo desenvolvido pela Brownie Brown (Mother 3) em parceria com a Level-5, incluso no pacote.


Os costumeiros gráficos cartunescos e cutscenes de animação excelente retornam, em conjunto com a dublagem de qualidade inquestionável que a série vem apresentando. Tudo isso regado no misterioso enredo que envolve Misthallery garantem que Professor Layton and the Last Specter seja outro sucesso. Posso recomendar este jogo a todos os fãs de uma boa história e dispostos a exercitar o pensamento, mas apesar de ser cronologicamente o primeiro Layton, menções e detalhes espalhados fazem de Last Specter melhor aproveitado por veteranos.

Este é, de longe, o título da série com maior polimento até então. Ainda é a mesma fórmula em sua essência, mas a maneira com que esta foi adaptada aqui é a maior evolução do título. A investigação está bem mais detalhada, warp zones mais convenientes pro mundo gigantesco criado, a história maior, os personagens mais marcantes... É um dos poucos jogos que, ao serem iniciados, te prendem de tal forma que é difícil largar sem saber o desfecho da história - e este vale cada minuto gasto. É o início de uma nova trilogia que tem todo um potencial para superar a primeira. Alguém disse que o DS estava morto? A Level-5 certamente discorda.
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