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análise › 3ds 
Zero Escape: Virtue's Last Reward
escrita por Gustavo Vitor Barbosa Bomfim



999: 9 Hours, 9 persons, 9 doors talvez seja o título de DS mais bem escrito. Até mesmo as seções escape the room, reminiscentes principalmente de jogos em flash e distribuição digital pequena, colaboravam com diálogos inteligentes e bem-humorados superando até mesmo algumas novelas literárias, das quais o gênero se baseia. Mas mesmo no DS, o antro de adventures e graphic novels dessa transição de gerações, o título da Chunsoft não conseguiu o merecido sucesso - é, foi bem criticado e os mais entusiastas do portátil certamente o conhecem, mas os números não justificavam a existência de Virtue's Last Reward (VLR). O próprio 999 apenas arrisca inserir elementos possíveis de continuação, com a história em si sendo convoluta e completa. Aí nos entregam o segundo volume de - agora uma série - rotulada Zero Escape.

VLR tem muito da fórmula de 999. Sigma, o personagem-jogador e outras 8 pessoas foram sequestradas para jogar um jogo sádico e uma porta trancada com o número 9 está entre você e a saída. As regras mudaram, mas elementos que fizeram do predecessor um sucesso cult estão sempre presentes - o constante mistério de um Zero ("traidor") entre os participantes, uma ameaça constante de morte, quebra-cabeças inteligentes...



Mas as novidades é que fazem VLR se destacar. Em especial, as chamadas AB Room, salas onde se joga um desafio mental inspirado no dilema do prisioneiro, e que é a propaganda do título: Aliar... ou trair?

 

O dilema do prisioneiro: (sujeito a variações)
A e B são presos. A polícia oferece a ambos o mesmo acordo. Se um dos prisioneiros testemunhar contra o outro e esse não falar nada, o que confessou sai da prisão e o outro cumpre 10 anos de sentença. Se ambos calarem, os dois ficam presos 6 meses. Se cada um acusar o outro, os dois levam 5 anos de prisão.
O AB Game funciona de maneira similar, baseado na tabela acima.



Sempre uma dupla contra um jogador sozinho. Apesar das respostas do(s) oponente(s) serem pré-determinadas, a simples escolha de duas opções por vezes se prova uma tortura mental. A imersão que o jogo proporciona e as constantes situações inesperadas que antecedem cada AB Game colocam o jogador analisando muito da psique dos oponentes antes de apertar o botão. Isso mesmo, pensando o que um personagem virtual programado pensaria. A máscara de mini-game simples logo cai. Só existem duas opções, mas as consequências que cada uma gera se ramificam de maneiras muitas vezes impossíveis de predizer.



Fora das partes novel, onde o controle do jogador se resume a escolhas de qual porta entrar, qual lugar explorar e o dito AB Game, VLR é uma coletânea de escape-the-room. Cada porta do confinamento dos 9 infelizes participantes guarda uma sala mais misteriosa que a outra. Salvo por um ou outro puzzle (alguns permitindo que o giroscópio do 3DS entre em ação), estas funcionam como os tradicionais adventure. Colete um item aqui, o use ali para conseguir outro, e assim por diante. O nível de dificuldade é sempre bem estipulado e cada sala tem pelo menos um quebra-cabeça mais complicado para os mais dedicados.

Mas é mesmo nas seções novel que o jogo brilha. A interação nestes segmentos são mínimas, mas narram uma história que provavelmente só é possível neste tipo de mídia. O roteiro bem trabalhado só enriquece com a impecável localização da Aksys, com trocadilhos e piadas tão bem adaptadas que o farão imaginar como muito daquilo é (se) possível em japonês. As salas a serem escapadas são excelentes, mas no fim das contas, se passam por adições.



A apresentação de Virtue's Last Reward é muito bem trabalhada. Os gráficos e animações não são dos mais diversos, mas dentro do proposto, encaixam-se bem. A substituição de sprites 2D pra modelos 3D parece natural, e o efeito 3D adiciona profundidade às diversas salas presentes (embora estranhamente se perca em imagens estáticas, como fotos ou desenhos). O jogo possui opção para o áudio original japonês, mas as estrelas da vez são a dublagem americana. Toda a parte novel de VLR é dublada (à exceção do personagem principal), e as atuações são de um nível elevadíssimo. Algumas, como a da IA Zero The Third, são excepcionais, e acabam sendo responsáveis por boa parte da caracterização dos riquíssimos personagens criados. A trilha sonora também possui destaque, com ritmos certos sempre bem colocados.

VLR, ao contrário de 999, possui expectativas mais altas. O jogo busca ser o mais acessível possível, com a distribuição multiplataforma, a dublagem das milhares de linhas de diálogo, facilitadores como o flowchart embutido e melhoria da função "skip", além da apresentação que lentamente introduz o jogador na história de 999, evitando alienar completamente o público. Ele constrói sobre um universo pré-existente uma nova camada com novos participantes e prepara o palco para o provável último volume de uma série que mexe com a cabeça de todos que se envolvem. VLR até utiliza truques de 999. O personagem desaparecido, a amnésia... Mas vai além, muito além. Mais de 30h com inúmeros possíveis resultados acontecem no confinamento. E surpresas e revelações bombásticas aguardam os virtuosos.
 


-- Resumo --

+ História e roteiro excepcionais
+ Localização soberba
+ Dublagem de altíssima qualidade
+ Quebra-cabeças divertidos e inteligentes




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