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análise • wiiu 
Xenoblade Chronicles X
Escrita por André Brandi

Não resta dúvida alguma de que a aposta da Nintendo, lá atrás em 2007, de comprar todas as ações da Monolith Soft, até então subsidiária da Namco, foi uma decisão brilhante. Após a negociação, a responsável por séries prestigiadas como Baten Kaitos e Xenosaga colaborou em produções como Super Smash Bros. Brawl, Project X Zone e The Legend of Zelda: Skyward Sword, além de reservar talento, competência e criatividade para conceber o primeiro filho legítimo da fusão, chamado de Xenoblade Chronicles, para o Wii.

Considerado por muitos um dos melhores RPGs dos últimos tempos, mesmo enfrentando problemas para ser traduzido e comercializado fora do Japão, Xenoblade chamou a atenção de jogadores e críticos do mundo inteiro e imediatamente nos fez esperar ansiosos por uma sequência, anunciada para o mais moderno Wii U. Depois de longa antecipação, Xenoblade Chronicles X finalmente está entre nós e seu lançamento carrega de forma intrínseca uma difícil pergunta: Será que o novo fruto da parceria consegue ser tão bom quanto seu irmão mais velho?

Do ponto de vista técnico apenas, a perspectiva é otimista. As diferenças entre o que o console antigo e o atual são capazes de fornecer podem parecer óbvias, mas aqui, elas foram escancaradas de forma assustadora. Em situações onde antes, o Wii falhava para se manter em pé de igualdade contra plataformas rivais, o Wii U agora foi capaz de criar uma legítima experiência de última geração, embora que, para que isso seja verdade, quem comprar a versão física precisará baixar e instalar pelo menos 10GB de data externa.

Em minhas 150 horas de jogatina, X rodou de forma impecável, renderizando vastas distâncias e seus inúmeros monstros e elementos sem nenhuma dificuldade, com tempo de carregamento notavelmente rápido e uma admirável taxa fixa de 30 frames por segundo (isto é, sem flutuações ou quedas), ideal para esse tipo de campanha. Há pequenas ressalvas sim, como a instabilidade nos modelos dos rostos dos personagens, que funcionam de forma correta apenas quando estáticos, mas apesar disso, o produto final esbanja qualidade e merece aplausos.

O planeta palco da aventura, Mira, se estende por inacreditáveis 400 quilômetros quadrados, tamanho que faz dele o maior mapa já criado, pelo menos três vezes mais amplo do que o de qualquer outro jogo. Claro, que essa dimensão toda não valeria de nada se não houvessem centenas de coisas para se fazer com ela, mas o problema comum de títulos desse tipo, em que são criados "grandes vazios", não é encontrado aqui. O mundo é dividido em cinco continentes e cada um deles é segmentado por dezenas de hexágonos recheados de paisagens, segredos, inimigos únicos e missões para serem encontrados. Os objetivos dentro dessas figuras são tantos, que não é fora do comum finalizar apenas 20 ou 25% de tudo que há em Mira, mesmo após concluída a história.

Além de enorme, é importante destacar quão marcante o planeta todo é. Existem rios, lagoas, florestas, vales, planícies, montanhas, cavernas, desertos, cachoeiras, fortalezas e criaturas gigantes, além de outros lugares surreais. Descobri-los é algo que se torna absolutamente viciante graças ao incansável capricho dos desenvolvedores em criar cenários cativantes e memoráveis. E o melhor: O jogo te dá liberdade para que você conheça tudo no seu próprio passo. Não há limites entre os continentes e pouca ou nenhuma indicação de onde deve-se ir primeiro. Você escolhe.

No entanto, tal autonomia vem com um preço e só é possível porque o novo Xeno não se apoia mais em uma narrativa principal, que nem fazia seu antecessor. Há uma trama central, claro, e ela possui as clássicas características de um bom JRPG, com momentos épicos e reviravoltas inesperadas (incluindo um final bem controverso), porém essa trama não é o único fio condutor da jornada.

A premissa é de que a humanidade perdeu a terra, precisando colonizar outro lar e realizar isso envolve uma variedade de tarefas, que não necessariamente estão diretamente envolvidas com o enredo. Ainda é necessário avançá-lo para colocar outros eventos em movimento, mas ele certamente não tem o mesmo peso que normalmente se espera em um título desse tipo. O foco é muito maior no "fazer" do que no "assistir". E embora isso possa desapontar alguns, a parte do "fazer" não decepciona.

A complexidade apresentada é a maior qualidade e, ao mesmo tempo, o pior defeito de Xenoblade Chronicles X. Óbvio que não é bom que o sistema seja raso demais, entretanto, a quantidade de coisas a se fazer e de mecânicas inéditas e intrincadas é, a princípio, desencorajadora. Em certos momentos, o jogo não faz um bom trabalho em explicá-las e é normal se sentir perdido ou esquecer de executar algo significativo. Consultar o manual múltiplas vezes acaba virando uma norma, junto da constante sensação de estar fazendo alguma coisa de errado. O lado bom disso é que X se esforça em não punir muito pelos enganos, dando tempo para que se assimile tudo em ritmo pessoal e confortável.

Descrever completamente as funções novas e as que retornaram faria essa análise ficar duas vezes mais longa, mas um bom exemplo de quando a complicação se torna uma coisa boa, é durante o processo de construção do personagem principal. O título usa um método de combate em tempo real, que permite aos guerreiros integrarem uma de dezesseis classes. Cada classe utiliza um par de armas, artes (golpes das armas) e habilidades exclusivas. Masterizá-las acontece de forma orgânica (experiência e pontos de classe são recompensas comuns, abundantes em praticamente todos os objetivos) e propicia que elas sejam misturadas, preservando-se apenas as particularidades escolhidas de cada uma e tornando o protagonista único.

Opções de customização como essa têm o poder de manter a campanha sempre jovem e pouco repetitiva. E Xenoblade de Wii U é cheio de alternativas desse tipo. É graças a este fato, que ele não se torna chato em momento algum e a característica é primordial em um jogo, que exigirá aproximadamente 100 horas ou mais de seus jogadores. Como se não bastasse, aparência é também um aspecto importante da personalização e, além dos equipamentos comuns em que consideram-se seus atributos, há um espaço onde equipa-se tudo novamente, mas dessa vez levando-se em conta apenas seu visual.

A parte ruim de tanta profundidade fica em evidência em situações como quando, após dezenas de horas desenvolvendo seu avatar e os parceiros dele, deve-se repetir o processo para todos os seus Skells, robôs gigantes usados em forma de veículos e como lutadores para enfrentar criaturas enormes. Comprá-los, equipá-los e utilizá-los é muito mais penoso do que deveria e adiciona uma camada de trabalho e confusão, que não é necessária.

O modo online é outra amostra do problema e talvez a principal delas. Nada no sistema escolhido é familiar ou natural. Sempre, ao iniciar uma jogatina, você é colocado de forma aleatória em um grupo de 32 pessoas com cinco objetivos em comum e um tempo limite. Para fazer uma missão com esses indivíduos ou com amigos, os objetivos devem ser atingidos pelo grupo, com cada membro em seu próprio mundo, sem qualquer interação entre eles. Esse processo deve ser repetido cada vez que deseja-se jogar com alguém e é difícil entender porque os criadores optaram por um método estranho e inconveniente como esse.

Para piorar, as missões são curtas e bem limitadas. Não espere nada recompensador e duradouro como o multiplayer de Monster Hunter, por exemplo. Você será teleportado de frente para um inimigo ou um monte deles, lutará, e a missão terá acabado. Para um título tão rico como esse, é muito pouco. Manter-se online possui uma série de benefícios, no entanto, como troca de recompensas, itens e a possibilidade de recrutar NPCs de outras pessoas por trinta minutos, recebendo ajuda em momentos mais duros. É altamente recomendável deixar o Wii U conectado com a internet em todos os momentos. Só não se anime muito com a ideia de desfrutar da experiência em conjunto.

A trilha sonora que embala a aventura é composta por Hiroyuki Sawano, mais famoso no campo dos animes em obras como Attack on Titan, Aldnoah.Zero e Kill la Kill. O trabalho musical é bom, não me levem a mal, e envolve a criação de 60 composições originais bastante épicas e sofisticadas. O único inconveniente foi a escolha infeliz de dar prioridade sempre as mesmas 10 ou 12 faixas, e algumas delas, quando ouvidas incessantemente, cansam o ouvido.

Ainda assim, apesar das falhas, a quantidade de esforço e criatividade na construção do jogo é impressionante. As várias ferramentas de navegação funcionam, o Gamepad é útil e prático (e pode ser usado em combinação com o Pro Controller) e mesmo de forma desorganizada, toda a informação necessária está presente em algum lugar. Basta procurar. O projeto é ambicioso e com apropriada calma e paciência para se absorver tudo, ele se torna surpreendentemente viciante, duradouro e divertido, qualidades essas de todo grande RPG.

VEREDITO

Xenoblade Chronicles X é uma carta de amor ao jogador dedicado e um tremendo pé-na-bunda do mais ocasional. Tentar passar pela campanha de forma descompromissada é frustrante, mas se você estiver disposto a gastar inúmeras horas e aprender, ele se torna uma das experiências mais gratificantes do Wii U. X é bem distinto de seu predecessor e inverte algumas de suas prioridades, mas não decepciona e mantém a reputação imaculada da Monolith Soft como uma das melhores colaboradoras que a Nintendo já teve.

 


9,0
COMENTáRIOS • site
raereu
07/09/2016 s 22:25
O jogo vale a compra pela exploração e sistema de batalha.. mas a história principal é HORRÍVEL. Seu avatar é um bosta na história, a protagonista é a chatissima Elma. Tudo de legal e emocionante q te prendia no xenoblade original aqui te dá raiva. Eu passava praticamente todas as cutcenes... é mesmo assim entendi a história. Enfim vale muitas horas de jogo, mas vc não consegue subir muito de nivel (para no 60) e as missões começam a ficar chatas tbm. Pra mim foram 100h de diversão e depois zerar rápido (passando pela campanha chata principal) e não pegar mais. NÃO VALE 350 REAIS. compre 2 jogos do ps4 ou xbox one no lugar. Se jogou o xenoblade original a decepção será pior.
Caos
28/01/2016 s 17:39
Jogo magnifico
Thiagorpereira
17/01/2016 s 12:51
que senhor jogo! Ainda não to na parte das skells, to indo beeeem na lenta e tentando aproveitar todos os pontos. To apaixonado por Mira hehe
celomar
14/01/2016 s 22:00
Também concordo com a análise. Este jogo é imenso e muito bem feito. No momento é o que mais estamos jogando aqui em casa.
Voliver
14/01/2016 s 21:56
Ótimo review, concordo com praticamente tudo. To com 70 hrs e ainda não zerei kkk, realmente, está sem dúvida entre os top 5 do Wii U pra mim: Splatoon, Mario Maker, Mario Kart, Smash e Xenoblade!

Algumas trilhas sonoras são muito fodas, como a da caverna, ou as de piano que tocam raramente não sei pq. Agora, eu não curto música pop, e infelizmente esse tipo de música é o que predomina no jogo, o que perde nota pra mim.

O jogo é bem complexo, e é exatamente como diz no review, chega a ser desencorajador no começo, mas se o jogador persistir, ele naturalmente ira masterizar cada vez mais com o passar do tempo, e a experiência se tornará cada vez mais gratificante.

O gráfico é maravilhoso e feio ao mesmo tempo. O que eu quero dizer com isso é que o cenário, principalmente fora da cidade, é ESPETACULAR. Mas se vc aproximar a câmera, vai reparar em vários gráficos feios, mas pra mim foi completamente normal em se adaptar a isso, pois é compreensível dado o tamanho GIGANTESCO do jogo. Infelizmente aqui mesmo baixando pacotes de loading e texturas, ainda algumas vezes demora pra carregar textura, e inclusive pra carregar cenários no jogo, por exemplo, estou procurando um npc, eu chego no local que ele está, só que ele não aparece, aparece várias coisas uns 2 ou 3 segundos depois DO NADA, é bem estranho... Mas é aquilo que eu disse, o jogo é realmente gigantesco, pra terem uma ideia, eu com 70hrs, não zerei o jogo, e das 5 áreas que o jogo tem, eu só explorei por completo, diga-se de passagem, 3 áreas, eu comecei ONTEM a explorar a quarta área kkkk... É claro que dado o tamanho imenso do jogo, terão vários defeitos, como glitches, algumas texturas feias e demora pra carregá-las, mas a qualidade do jogo é EXCELÊNCIA, obrigatório pra qualquer jogador que goste do gênero!
Narugami
14/01/2016 s 17:41
Valeu meu investimento, valeu eu ter comprado Wii U! meu jogo do ano sem dúvidas!
shadowfly
14/01/2016 s 15:00
Eu estava tão ansioso de pegar esse jogo, mas o preço dele me fez desistir. Para falar a verdade, o preço não é o grande vilão e sim as trocentas horas para joga-lo. Não tenho mais tempo para dedicar todo esse tempo a somente um jogo, mesmo ele sendo espetacular. Infelizmente, esse é o principal motivo para não pega-lo, TEMPO. E ainda tem o agravante do jogo ser um openworld gigantesco..ao invés de fazer a main quest, certamente ficaria perdidinho só apreciando a paisagem.
NewD2Boy
14/01/2016 s 14:20
Esse jogo está dando muito o que falar e o jogo é fantástico a repercussão dele é enorme e é um dos jogados do Wii U mais jogados e eu irei comprá-lo esse ano.
Nior
14/01/2016 s 11:50
O primeiro é fantástico, bom demais mesmo. Infelizmente ainda não tive a oportunidade de jogar este, mas está realmente muito lindo, muito lindo mesmo, e parece ser uma aventura para meses. Perfeito! Excelente nota também!
Chris
14/01/2016 s 11:45
Concordo muito com a analise, excelente!
Estou por volta de 60h de jogo e achei incrível e assustadora ao mesmo tempo, a quantidade de coisas que o jogo oferece, porém é tanta informação que eu tive que tirar uma tarde inteira pra ler, pesquisar no jogo até que eu entendesse ao menos os elementos mais importantes.
Outra coisa que achei incrível é que o jogo não te deixa avançar pela campanha como quem não quer nada. O mundo é LINDO e GIGANTE, e o jogo meio que te obriga a explorar o mundo tudo afim de obter os melhores recursos com as probes.

Ando num tempo em que será difícil comprar um jogo novo pelos próximos meses, comprei o X caro, mas foi um investimento que valeu a pena e vai me deixar ocupado por um booom tempo!
Chico_BR
14/01/2016 s 10:33
Concordo com a análise e com a nota. É exatamente isso.
denis_timao
14/01/2016 s 09:03
Me baseando pelo primeiro, parece ser um dos melhores do ano sem dúvidas, pena estar tão caro!
Al-Rashid
14/01/2016 s 08:11
Pq tudo tem de ser tão longe nesse game?
14/01/2016 s 05:25
Se a eurogamer pode lançar análises sem jogar, eu também posso, esse jogo para mim é nota 1000 e recomendo a todos.
Arus
14/01/2016 s 02:29
Opa, o meu ta encomendado. Só esperando pra eu poder jogar essa belez

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