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análise • 3ds 
7th Dragon III Code VFD
Escrita por Luis Guilherme Machado Camargo

 7th Dragon III Code VFD é, na realidade, o quarto jogo de uma série que começou no Nintendo DS e o primeiro a ser oficialmente localizado para o público ocidental. A história em Code VFD se passa muitos anos após os jogos anteriores e é fácil de ser acompanhada por iniciantes. Existem algumas referências aos jogos antigos, mas tive a impressão de que não são necessários para se entender e aproveitar Code VFD.

 

A trama acontece em Tóquio em 2100, quando a Terra está prestes a ser atacada novamente por um True Dragon que, antigamente, quase eliminou a raça humana. Seu personagem genérico é recrutado por uma empresa de videogames para viajar no tempo em diferentes épocas nas quais outros True Dragons invadiram a Terra, derrotá-los e coletar seus espécimes com o objetivo de criar uma arma para derrotar o novo True Dragon, chamado VFD.

História definitivamente é o ponto mais fraco de Code VFD sendo, francamente, previsível e sem grandes momentos. O que mais me incomodou, no entanto, é uma completa falta de identidade em relação aos seus personagens genéricos criados. O jogador controla um time de três pessoas, referenciado pelo nome do líder ou simplesmente como Unit 13, e a continuidade de certos eventos fica estranha caso você troque de time ou de líder, pois a história não muda absolutamente nada.

Isso é especialmente verdade em alguns eventos opcionais com teor romântico, nos quais você pode assistir a parte inicial com um personagem e resolver assistir o final com outro personagem completamente diferente. Como o jogo não liga para seu personagem em uma cena, pode-se dizer que, no aspecto romântico, ele é bastante moderno, pois sexo, aparência e raça não são levados em consideração.

 

O que é realmente excelente em 7th Dragon III é sua jogabilidade, mais especificamente seu sistema de batalha. O sistema é por turnos e utiliza três personagens na equipe principal, com a possibilidade de se utilizar outras duas equipes como auxiliares. O destaque desse sistema se deve às várias classes do jogo, cada qual com uma mecânica própria e que permite, dentro da mesma classe, que diferentes tipos de estratégia sejam desenvolvidos. Por exemplo, a classe God Hand (pense na classe monge de muitos RPGs) pode servir para cura ou contra-ataques, ou utilizar a mecânica God Depth, desferindo ataques em uma ordem que gradativamente aumenta o dano e causa efeitos especiais. A classe duelista utiliza de uma mecânica de cartas para plantar armadilhas ou causar danos elementais nos inimigos. A classe Banisher tem um altíssimo poder de ataque, no entanto, é necessário utilizar uma mecânica de munições para utilizar seus golpes.

As mecânicas e a maleabilidade das classes do jogo tornam a experimentação com o sistema de batalha algo extremamente divertido e muitas vezes recompensador. Maximizar a sinergia entre as classes e desenvolver estratégias que utilizem todos os pontos fortes de sua equipe também requer bastante experimentação e essa liberdade de você experimentar sem se cansar é o que torna esse sistema de batalha excelente.

 

Minhas pequenas ressalvas em relação à jogabilidade vem do reuso de inimigos e do fato de não poder pular animações que, eventualmente, ficam cansativas. As fases no jogo não são muito grandes para serem exploradas, no entanto, a taxa de encontros é relativamente alta em cada uma. Além dos inimigos comuns, existem os dragões, que são consideravelmente mais fortes, e o jogador é constantemente incentivado a derrotá-los, pois eles fornecem uma moeda especial que garante o desenvolvimento de novos equipamentos, instalações e muito mais. No entanto, os dragões são constantemente repetidos durante o jogo, com pouca variação entre alguns tipos. Caso sua equipe esteja muito forte ou bem planejada, eles irão servir apenas como saco de pancada.

 

Pela minha experiência, balanceamento não é exatamente um forte de Code VFD. Minha equipe principal conseguiu destruir sem problemas qualquer inimigo e chefe na primeira metade do jogo, enquanto que na segunda, as batalhas com chefes tinham consideráveis picos de dificuldade. Algumas lutas não eram difíceis, mas simplesmente cansativas porque minha equipe trabalhava melhor defensivamente e demorava para causar dano. Outras batalhas eram tentativa e erro, porque o chefe poderia matar instantaneamente alguns personagens ou causar muitos efeitos negativos de uma vez, fazendo com que uma batalha fácil instantaneamente se tornasse algo sem salvação. Em todos os casos acima existem outras estratégias que suprem perfeitamente essas dificuldades (uma equipe focada em ataque e equipamentos resistentes ao ataque de morte instantânea, por exemplo), mas o game over só te permite refazer a batalha sem a possibilidade de reajustes no menu.

O balanceamento entre as classes também me pareceu injusto, principalmente em relação àquelas obtidas mais tarde na história. Estas últimas causam quantidades de dano massivas com muito menos recursos que as primeiras classes, fazendo com que se tornem praticamente redundantes. No final, minha terceira equipe composta pelas classes mais novas estava muito mais forte do que minhas duas primeiras que contavam as classes disponíveis no começo do jogo.

 

Veredito

7th Dragon é um RPG mediano com um excelente sistema de batalha. Se você gosta de histórias interessantes e personagens cativantes, você não irá encontrar isso aqui. No entanto, se você é do tipo que gosta de explorar as capacidades do sistema de batalha e ver quais novas formas de quebrá-lo, esse é possivelmente um dos melhores jogos para 3DS disponíveis. 

Jogo analisado com código fornecido pela Sega


7,0
COMENTáRIOS • site
NewD2Boy
22/08/2016 s 12:12
Bom, pela análise o jogo vale a pena pelo seu sistema de batalha que é muito bom, mas infelizmente ele comete um erro fatal para um jogo do tipo de RPG que a narrativa dele que é muito fraca, ganha pontos pelo gameplay mas perde na narrativa, mas como é o primeiro a vim para o Ocidente merece uma chance, mas não de imediato.
Estrujo
06/08/2016 s 17:12
Estou louco pra comprar esse. Pena que está custando 1 rim.
Seph_luis
05/08/2016 s 17:48
@Rhyel

As animações cansam mais depois de muitas batalhas. Ainda mais que eu usava a Hacker que tinha umas animações mais demoradas.

Não mencionei a música porque achei a OST do jogo bem regular. Não é ruim, mas eu também não achei excelente. Gostei bastante de algumas músicas (especialmente das fases em Tóquio e das dos bosses), mas a grande maioria acabou batido na minha opinião.
Rhyel
05/08/2016 s 13:32
Bem, eu ainda estou no episódio 5.1 e acho que estou perto do fim.

Concordo com parte do review, mas...

Sim a história é simples, mas é bem apresentada, com os personagens fazendo as expressões corporais bonitinho. Bem estilo Anime anos 90.

Seu time é forte com os times 2 e 3 de backup, mas sofro quando são obrigado a se separar, mas entendi isto, assim aprendi a jogabilidade das classes que não tinha no time 1.

Sobre as animações não dá para cortar, mas são 3 segundos cada.

Sobre o alto índice de encontros, realmente é alto, mas é zerado quando passa de área e tem itens para prolongar muito o intervalo destes encontros.

Outro defeito não mencionado é que o jogo não usa o efeito 3D do 3DS, eu gosto dos gráficos do jogo, mas ficariam muito mais legais em 3D.

Fiquei triste pois o review não faz nenhuma menção sobre a música do jogo, feita pelo mestre Yuzo Koshiro, estão com qualidade excelente e ajudam muito na empolgação de jogar.

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