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análise • 3ds 
Ace Attorney: Phoenix Wright - Spirit of Justice
Escrita por Nícolas Andréas Cardoso Martins Ferreira

Phoenix Wright: Ace Attorney – Spirit of Justice é o sexto jogo na linha principal de Ace Attorney, uma franquia de visual novels criada por Shu Takumi e desenvolvida e publicada pela Capcom. A franquia foca em investigação - através de um sistema de point-and-click - e na resolução de crimes numa seção de julgamento, onde o jogador deverá utilizar as provas e informações que coletou para questionar as testemunhas e descobrir a verdade por trás dos crimes.

O jogo começa com a chegada de Phoenix Wright num país altamente religioso chamado Khura’in, onde advogados deixaram de existir devido a uma lei que dita que, uma vez que o réu é sentenciado, aqueles que o defendem no tribunal serão sentenciados à mesma pena, ou seja, caso um réu receba a pena de morte, a mesma será imposta para seu advogado. Essa lei cria um ambiente onde advogados de defesa não são bem vistos e nem bem-vindos, um dos principais pontos de conflito do jogo. A história também segue Apollo Justice e Athena Cykes, empregados de Wright, enquanto tentam manter o escritório na ausência do chefe.

Spirit of Justice conserta a maioria dos erros de seu antecessor, Dual Destinies: o jogo permite que o jogador investigue áreas que não são relacionadas à cena do crime como nos primeiros jogos da franquia, deixando de lado a investigação simplificada do título anterior. A escrita também apresenta uma grande melhoria, tomando distância das caracterizações unidimensionais de Dual Destinies, melhor balanceando as personalidades e interações de seus personagens e criando dramas muito mais interessantes e humanos, e apesar da escrita decair em momentos mais sérios, o nível do humor da franquia está intacto aqui.

Apesar disso, Spirit of Justice ainda repete alguns erros de seu antecessor: certos personagens clássicos da franquia retornam simplesmente por fanservice, tendo pouca ou nenhuma importância para a história. Outro grande problema é a falta de sutilidade: enquanto, por vezes, o jogo tem, em sua escrita, a sensibilidade necessária, na maior parte do tempo Spirit of Justice pouco se dá ao trabalho de ser sutil, o que resulta em falas e momentos forçados que não ajudam a narrativa do jogo, que já sofre problemas ao ter que lidar com três protagonistas de uma vez.

Seguindo o formato da franquia, Spirit of Justice conta com cinco capítulos. O primeiro capítulo é o capítulo de introdução que, como sempre, serve de tutorial. Como em quase todos os lançamentos da franquia, este capítulo não tem muita importância apesar de se encaixar bem no contexto geral. É necessário citar que o capítulo é divertido apesar de conter algumas das piores falas do jogo.

O segundo e o quarto capítulo, enquanto também divertidos, são os menos importantes, tendo muito pouca ou quase nenhuma ligação com o arco da história geral. Mais especificamente, o quarto capítulo é um dos fillers mais óbvios da existência da franquia, o que acaba atrapalhando o fluxo do jogo, afetando-o negativamente.

A grande novidade introduzida por Spirit of Justice são as chamadas Divination Séances, sessões onde são recriadas para todo o tribunal o momento do crime através dos olhos – e outros sentidos - da própria vítima em seus momentos finais. O jogador deve, então, apontar discrepâncias entre as sensações da vítima e os supostos fatos do crime para descobrir a verdade. Enquanto a mecânica é interessante e tem seus momentos, por vezes suas contradições são ambíguas, o que leva a situações onde apontar uma contradição é possível de duas ou mais maneiras, mas o jogo arbitrariamente aceita apenas uma delas.

As mecânicas de cada personagem – o Magatama de Phoenix, o bracelete de Apollo e o Mood Matrix de Athena – também estão de volta, mas parecem existir no jogo apenas para satisfazer os fãs, o que não seria um problema por si só se não fosse pelo fato de também não serem utilizados de formas interessantes.

 Outro ponto pela qual a franquia é conhecida é por sua trilha sonora, e infelizmente é outro quesito no qual Spirit of Justice sofre: o compositor Noriyuki Iwadare, um veterano da franquia, falha em criar músicas que atinjam o nível esperado de um Ace Attorney e as poucas boas trilhas que o jogo tem acabam sendo, em sua maioria, remixes de títulos anteriores. Nenhuma das músicas é particularmente ruim, mas quase nenhuma delas consegue compreender e expressar a personalidade e o espírito da franquia da mesma forma que as trilhas sonoras dos jogos anteriores conseguiam. As dublagens continuam extremamente fracas e robóticas. Felizmente, são poucas as cenas e falas em que os personagens são dublados.

Com três personagens “principais” – Phoenix Wright, Apollo Justice e Athena Cykes – o jogo tem muito com o que lidar em muito pouco tempo. O resultado disso é que Apollo acaba sendo o único dos personagens principais que passa por algum desenvolvimento na narrativa. Isso não afeta apenas os personagens principais, mas também o novo promotor, Nahyuta Sahdmadhi, que é de longe o promotor mais fraco da franquia – com a exceção obvia dos irmãos Payne. Apesar de seu papel de rival, Nahyuta serve apenas como obstáculo – e um não muito grande, para ser honesto – no caminho da resolução dos crimes, interrompendo o questionamento de testemunhas vez ou outra simplesmente para prolongar o julgamento – ou contradizer suas próprias teorias como acontece no segundo capítulo - e logo voltar a ser esquecido pelo próprio jogo. O mais frustrante disso é que vez ou outra Nahyuta apresenta traços de uma personalidade única, mas nunca é explorado e acaba como um personagem pouco memorável.
 

Por outro lado, Rayfa, outra personagem nova e de grande importância para o jogo, é uma personagem interessante, tem ótimos momentos – especialmente suas interações com Phoenix Wright – e um próprio arco que termina satisfatoriamente, mesmo que de forma um tanto previsível. De fato, muito do jogo em geral é previsível, tanto na direção geral da história quanto em seus mistérios, mas isso não o impede de ser satisfatório, e quando o jogo tenta coisas novas – inclusive alguns que foram deixadas de fora desse texto propositalmente – consegue surpreender, na maioria das vezes, de forma positiva. 

VEREDITO
 
Apesar de ser um jogo cujo grande potencial o torna frustrante tendo em vista o quão pouco acaba realizando, Spirit of Justice ainda é, dentre os Ace Attorney recentes, o melhor e mais satisfatório. O que falta de sutilidade em sua escrita é superado pelas interações entre os personagens, seus mistérios e as suas tentativas de inovar a fórmula e enquanto muito de seu potencial é desperdiçado em vilões fracos e genéricos, o jogo acaba tendo mais pontos positivos do que negativos.
 



Jogo analisado com código fornecido pela Capcom.


7,9
COMENTáRIOS • site
Akise Aru
21/09/2016 s 04:41
<b>As dublagens continuam extremamente fracas e robóticas. Felizmente, são poucas as cenas e falas em que os personagens são dublados.</b>

Que bosta então nada de dual audio e nomes japoneses, vou jogar a versão japonesa mesmo.
Zero Hunter
19/09/2016 s 20:37
Discordo da análise, pra mim a história é uma das melhores da série, assim como os personagens, casos e trilha sonora. O meu favorito da franquia juntamente com o Trials and Tribulations.

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