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análise • 3ds 
Shin Megami Tensei IV: Apocalypse
Escrita por Luis Guilherme Machado Camargo

 É inegável que Shin Megami Tensei IV foi um jogo bem produzido, mas que também tinha inúmeros problemas que afetam negativamente a experiência do jogador. Consequentemente, a opinião pública sobre o título é bastante dividida, com algumas pessoas que amaram SMTIV independentemente dos problemas, enquanto outras simplesmente odiaram o título por causa destes. Se você amou SMTIV, provavelmente já comprou ou já tem interesse SMTIV Apocalypse. O problema com essa análise será conseguir convencer as pessoas que odiaram o original a jogarem este, pois SMTIV:A é um dos melhores RPGs do 3DS, um dos melhores jogos no sistema, e conserta absolutamente todos os problemas do original.

A história em Apocalypse é uma nova possibilidade em relação aos eventos do SMTIV original. Apocalypse se passa quando Flynn, protagonista do jogo original, adere à rota neutra da história, decidindo lutar contra os anjos e demônios e libertar Tokyo da influência de ambos.  Consequentemente, Flynn é comumente visto como um salvador na cidade e o grupo de caçadores, agora em cargo de protegê-la, apoia Flynn na guerra contra o céu e o inferno.

O protagonista em Apocalypse se chama Nanashi, um caçador iniciante de 15 anos de idade que morre logo no início do jogo. Game Over. Fim. RPG mais curto da história. 11/10 como simulador de caminhada. Isso seria verdade se Nanashi não fosse revivido por Dagda e “compulsoriamente empregado” como seu matador de deuses. As razões de Dagda inicialmente são desconhecidas e não há muita opção do que ser feito, já que Nanashi está morto e só reviveu graças ao poder do mesmo.

Esse contexto dá razão a uma das melhores alterações de Apocalypse em relação ao original: remover todas as escolhas do jogador no início do jogo. O título apresenta de maneira convincente todos os lados do conflito entre anjos, demônios e humanos, bem como as crenças de cada facção presente, antes de pedir que o jogador faça escolhas sem retorno. Devido a isso, não é necessário jogar o SMTIV original para aproveitar Apocalypse, no entanto, jogadores do original irão perceber e saber de mais detalhes da história.

Outras pequenas mudanças também tornam Apocalypse mais agradável e mais estratégico que seu predecessor. Uma das principais reclamações de SMTIV foi o mapa que, ainda bem, foi substituído por um novo mapa de Tokyo que permite explorar a cidade e planejar rotas sem que o jogador se perca a cada 30 segundos por causa de um mapa ilegível. Algumas regiões são repetidas do jogo original, no entanto, a grande maioria são áreas novas para serem exploradas, cujo design é muito superior às do original, salvo algumas exceções, com mais caminhos e novas mecânicas que, em alguns momentos, forçam o jogador a planejar rotas de como enfrentar diferentes áreas. Surpreendentemente, todos os personagens tornaram-se legitimamente interessantes, com personalidades bem definidas e arcos de história intrigantes.

As batalhas ainda são baseadas no mesmo sistema Press Turn do original, mas com algumas mudanças para torná-las mais estratégicas. Sua equipe consiste de Nanashi e até outros três demônios, sendo que cada um possui uma ação por turno. O sistema Press Turn dá uma ação a mais caso atinja alguma fraqueza de seus inimigos, sendo possível, portanto, realizar até oito ações por turno, duas por cada integrante da equipe.

No entanto, o mesmo sistema também se aplica aos inimigos, ou seja, caso suas fraquezas sejam exploradas, é muito provável quese encontre em uma situação difícil ou morto (de novo). Felizmente, como todo bom chefe, Dagda pode te reviver sem praticamente nenhum custo para que você possa continuar trabalhando para ele por tempo indefinido, portanto, não há uma grande penalidade ao perder batalhas.

Ainda sobre as batalhas, Hama e Mudo foram alterados para serem ataques normais ao invés dos matadores instantâneos que tornavam o original um título extremamente fácil. Com a mecânica “Smirk”, estado especial e momentâneo de ataque obtido por sorte ou explorando fraquezas, Hama e Mudo readquirem a possibilidade de matar instantaneamente inimigos, e isso também se aplica a vários outros ataques que mudam suas características com a mecânica. Apocalypse também é mais bem balanceado que seu predecessor e possui uma curva de dificuldade muito mais natural, gradativamente aumentando o desafio conforme se avança no jogo.

Devido à natureza alto risco/alta recompensa do sistema de batalha, existem momentos que podem até serem considerados injustos. Um único erro ou mesmo um momento de azar com possíveis reforços inimigos pode levar a uma série de acontecimentos infelizes e, consequentemente, à perda de uma batalha sem que o jogador tenha chance de reação. São ocasiões raras e em certos momentos isso faz com que a dificuldade aumente consideravelmente.

Além da história principal, ainda existem diversas sidequests que envolvem coleta de itens, exploração de áreas ou a derrota de demônios e outras entidades. Algumas em particular têm um desenvolvimento bom, mas o excelente é que todas são listadas no celular do protagonista e não escondidas por aí, portanto, cabe apenas ao jogador decidir fazê-las ou não.

Veredito

SMTIV:A é o jogo que o original deveria ter sido. Sem sistemas excessivamente complicados e escondidos do jogador, com uma boa curva de dificuldade e sem problemas que afetem negativamente a experiência de jogo. É bem claro que a Atlus não só ouviu as reclamações como conseguiu criar um RPG completamente focado em suas qualidades. Mesmo que você não tenha gostado do original ou até mesmo detestado, Apocalypse é um excelente pedido de desculpas e merece uma chance de todos que possuem um 3DS. 

Jogo analisado com código fornecido pela Atlus.


9,5
COMENTáRIOS • site
Rhyel
13/10/2016 s 08:35
Agora todas as DLC estão liberadas, custam em torno de R$6 a R$10 as mais importantes. Tem algumas free, como dificuldade extras e tirar limite de nível.
Acredito que esteja no meio do jogo, estou achando perfeito. Melhor RPG adulto que alguém poderia querer, apesar dos personagens principais terem um apelo mais jovem.
Com Mapa de Tokyo fácil de navegar se deslocar se tornou um prazer.
Quem jogou a versão anterior terá deleites maiores com as referências aos acontecimentos passados.
Voliver
06/10/2016 s 02:08
Obrigado pela análise Wii U Brasil e Rhyel!
Rhyel
04/10/2016 s 08:15
Eu joguei umas 190h no IV e achei fantástico o jogo, o único "problema" dele é que diferente dos jogos atuais onde os primeiros inimigos estão lá só para você aprender a jogar, no IV o jogo não te dá moleza.

No apocalypse estou com 15h até agora, a sensação é que poliram o Diamante, mesmo que o aproveite muita coisa do IV, o jogo em nenhum momento parece ser uma expansão.

O que expande aqui é a história, as falas entre os personagens, até a interação com os inimigos, mas o jogo permanece fiel ao seu propósito. O jogo é adulto e tenso e os chefes de fase necessitam jogar com atenção e paciência.

Vale lembrar que este jogo não apaga a versão IV que está com preço bacana no eShop.

Outra coisa que gostaria que a Atlus arrumasse é que na eShop Brasileira muitas DLC estão com status de expirado e não dá para comprar, felizmente são DLCs avançadas recomendadas para quem já zerou o jogo.

Valle
03/10/2016 s 18:31
Nossa.
Não sabia que o IV era tão detestado assim.
E se esse é tão melhor...

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