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análise • switch 
L. A. Noire
Escrita por Aurélio Galdino

Cá estou eu, analisando um game da icônica Rockstar Games. Lembrada pelas polêmicas, mas principalmente pela inegável qualidade de seus jogos, a produtora nova iorquina não dorme em serviço, os jogos dela são indiscutivelmente matadores e são lições práticas de como fazer games de narrativa adulta.

L. A. Noire (que chamarei de LAN durante essa análise) é um game que se passa (óbvio) em Los Angeles, no ano de 1947, com uma temática noir (estilo de filme policial muito comum entre os anos 30 e 50). O game é focado em mecânicas de investigação, ainda que por vezes te leve a momentos de ação (muito bem estruturadas por sinal). A estrutura do game consiste em levantar provas, interrogar suspeitos, perseguir os culpados e prendê-los.

Ainda que a estrutura se repita infinitamente durante o gameplay, o jogo nunca se torna cansativo, primeiro por causa das narrativas muito instigantes que fazem querer saber sobre os casos investigados em seus mínimos detalhes, segundo porque a maioria deles possuem desfechos não muito óbvios, geralmente o game te leva a ter uma linha de raciocínio, para te surpreender com um desfecho muito mais impactante e terceiro, ser um mundo aberto e não precisar ter um compromisso na realização das ”main quests”, podendo sair por aí e explorando o lugar atrás de crimes de rua (“street crimes”) ou entrar nos mais variados tipos de carro (o game disponibiliza 95 modelos diferentes), que liberam, no menu de extras um showcase garantem essa proeza, o game não cansa.

Se a estrutura de LAN é exemplar, os controles seja jogando de forma portátil, com suporte a tela de toque, HD Rumble ou jogando “docked” na TV, com suporte à controles de movimento, são igualmente bem estruturados. Os recursos aqui citados são opcionais, mas nenhum deles é uma perfumaria, o game se adapta bem aos controles tradicionais e aos “não tradicionais”, o que confere uma diversidade impar que se adapta aos mais variados tipos de jogadores.

A versão do Switch, em comparação com as demais versões remasterizadas, em questões gráficas não está muito atrás, embora efeitos visuais que existiam desde o PS3/360 tenham estranhamente se perdido em algumas cutscenes, como vidros dos carros se estilhaçando. A cena em questão (logo nos mementos iniciais do game) se dá de forma tão bizarra que de uma cena para a outra, o vidro baleado reaparece totalmente ileso. A questão é que o console já demonstrou capacidade técnica que comportam visuais muito melhores, e não há como não atribuir essas falhas à produtora. Ainda mais pensando que os aspectos mais gerais sejam muito semelhantes, não aos videogames da geração passada, mas aos da atual geração. Essa inconsistência gráfica, claro, não tira os méritos da produção, mas deixam certo ar de desleixo. Mas é notório, porém, que para um game de 2011, as expressões faciais ainda parecem bastante realistas e servem claramente como parte da jogabilidade, uma vez que é por elas que você, durante os interrogatórios, decidirá a sua postura enquanto detetive. É interessante se ver acertando a melhor abordagem após analisar as expressões faciais, nesse sentido, os gráficos satisfazem a necessidade do gameplay.

LAN ainda pode ser jogado em P&B e deixa um ar mais interessante ao game, lembrando bastante os filmes de temática noir, mas não é recomendado, pois faz com que as pistas fiquem menos perceptíveis. Nesse sentido, a estética mais coesa ao conceito exige algum sacrifício (mas isso é totalmente opcional e não confere critério para redução de nota). Mas é de impressionar como o expressionismo alemão é bem representado aqui.

A história do protagonista, o detetive recém promovido, Cole Phelps, ex-fuzileiro da marinha americana que lutou durante a segunda guerra mundial são uma adição interessante. A história mostra uma perspectiva ousada sobre a corrupção estatal. A corrupção na polícia, exercito, governo, dos próprios cidadãos e leva a uma reflexão interessante. A realidade é que (prometo não divagar muito) a história em muito demonstra paradigmas dos mais atuais da nossa sociedade, seja a brasileira, seja na maioria dos países. O game também se preocupou em retratar as questões, conforme a realidade de época e portanto, jargões racistas ou etnocêntricos são utilizados com alguma frequência, o fato é que são retrato de uma época e possuem um contexto aqui.

 

Veredito

O game não é perfeito e nem é um exemplo das reais capacidades técnicas do console híbrido da Nintendo, mas é absolutamente competente no que se propõe. Os controles são excelentes, os casos são interessantes, e a história do game é muito bem escrita e historicamente contextualizada. O game merece destaque entre os jogadores do console sendo inclusive a única e boa opção do gênero de investigação no console.

 

 * O jogo foi gentilmente cedido pela Rockstar Games para essa análise.


8,5
COMENTáRIOS • site
m_landa
21/11/2017 s 19:41
@lelo explica, mas não justifica...o jogo é muito "filminho"...podiam ter ramificações na história, que refletissem inclusive a crise de consciência que o cara vai desenvolvendo ao longo da história, mas de modo mais interativo....isso impacta gravemente sobre a jogabilidade tb. O mundo é aberto, mas tem muito pouca coisa pra fazer além da história principal e muito pouca interatividade com o cenário.
Lelo Galdino
21/11/2017 s 17:26
@m_landa acho que tem haver com uma decisão ligada à construção da personagem. Ele foi formado em academia militar, um ambiente cuja moral é ortodoxa, inquestionável, rígida e o pensamento possui algum nível de linearidade entre seus agentes.
Lelo Galdino
21/11/2017 s 17:21
@Horokeu corrigido.
Horokeu
21/11/2017 s 10:45
Acho que com "impressionismo alemão" você quis dizer "EXPRESSIONISMO alemão" né?
Kek.

ai ai...
m_landa
21/11/2017 s 08:53
Torço pra que se saia bem, pra que GTA, RDR venha pro Switch...mas na moral, acho o jogo muito linear e apesar da primeira boa impressão (causada pelos bons gráficos, ambientação cativante e similaridade com GTA) ele envelhece mal na sua cabeça... lembro que eles cancelaram Whore of the Orient por causa disso..não sei qual a pira da Rockstar de relançar... Ele é cheio de escolhas que envolvem aspectos morais, mas não existem diferentes cenários, é sempre o certo e quadradinho e o errado. o jogo te obriga a ir pela senda mais moralista possível, por mais que você jogando já tenha ultrapassado essa visão... muito irônico, um jogo desse ser tão formalmente parecido com GTA, mas que no fundo, é radicalmente diferente.
Lelo Galdino
21/11/2017 s 02:30
@lucasdcf aaah sim, é não terei então como informar como fica o jogo sem esse patch.
lucasdcf
21/11/2017 s 02:20
Na Nintendo Life disserem que o jogo é jogável, mesmo sem a atualização de 14GB. O problema é que você vai enfrentar alguns bugs e outros problemas caso opte por não baixar o patch.
Lelo Galdino
20/11/2017 s 22:17
@Pohkan esse download serve para os que adquiriram de forma física, e no caso o jogador tem de baixar 14GB para poder rodar o jogo. Eu recebi o game da Rockstar digitalmente e portanto tive que baixar 27GB mesmo. Provavelmente, ao colocar o jogo, ele peça uma atualização ou te encaminhe para o download automaticamente.
Patolouco
20/11/2017 s 20:50
Para mim é justo o jogo receber notas entre 8,5 e 9,0. Ele realmente é um jogo acima da média.
Pohkan
20/11/2017 s 20:39
Eu queria saber como funciona sem o download e com o download adicional.

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