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Tudo o que Faltou (por Culpa da Nintendo of America)
escrito por Pedro Henrique Lutti Lippe
Reggie Fils-Aime já foi unanimidade entre os fãs dos games. Hoje, isso já não é mais assim.

A Nintendo of America, que entre as épocas do Super NES e do GameCube era considerada o exemplo máximo para filiais ocidentais de publishers orientais, tornou-se extremamente apática nos últimos anos. Algumas boas decisões foram tomadas, como as de suportar as séries Professor Layton e Dragon Quest em peso nas Américas e na Europa, mas sua performance geral recente é capaz de induzir fãs à loucura.

A Nintendo já possuía um histórico de jogos lançados no Japão que não saíram em todas as regiões. Doshin the Giant, GiFTPiA, Nintendo Puzzle Collection e Mother 3 não vieram para as Américas - mas são casos compreensíveis. Diferente de muitos dos que dizem respeito aos mais de 50 jogos disponíveis no Japão da publisher para Wii e DS que nunca chegaram às lojas das Américas.

A NoA adotou uma política de "risco zero", que prega que apenas localizações com garantia de um grande retorno são aprovadas. Se há um mínimo risco dos custos da tradução e distribuição não serem rebatidos pelas vendas em curtíssimos prazos, pode esquecer. E ao invés de compartilhar os direitos de distribuição com outras publishers menores como a prestativa XSEED, como faz a Sony, ela tranca os jogos em salas escuras e joga fora as chaves.

Esse quadro pode sofrer mudanças positivas no futuro, mas um grande estrago já foi feito. A NoA completará esse semestre semana que vem tendo lançado cinco jogos de Wii e DS no período. Esse número pífio poderia ser bem maior, se a filial tomasse conhecimento de pelo menos alguns dos títulos da seguinte relação:





Vamos logo tirar esses do caminho, já que estão frescos na memória de todos, e porque não há um dono "hardcore" de Wii que não tenha interesse em adquirir pelo menos dois dos três títulos acima. E se alguém disser que sim, está mentindo. Xenoblade é mais recente gigante RPG de Tetsuya Takahashi, da Monolith Soft; The Last Story é o RPG de ação desenvolvido pela Mistwalker e pela AQ Interactive, nascido da mente da lenda Hironobu Sakaguchi; e Pandora's Tower, com o lançamento japonês mais recente dos três, é o novo título de ação da Ganbarion.

Só nesta breve seleção estão três títulos de alta qualidade confirmada, que dariam muita atenção ao Wii que, neste momento, encontra-se à beira do absoluto abandono. É engraçado até: literalmente todas as outras publishers do mundo sacrificariam bebês pelo direito de distribuir esses jogos, mas a NoA os ignora justamente na hora em que eles lhe seriam mais úteis. Assumir um pequeno risco pela felidade de seus fãs é demais para a empresa.

Os custos de distribuição nem seriam tão grandes - afinal, outros títulos para os hardcore, como Sin & Punishment 2, já tinham sido lançados no mercado sem a ajuda de qualquer marketing para morrer antes. Nem os de tradução, pelo menos nos casos de Xenoblade e The Last Story, já que a Nintendo of Europe teve o peito de assumir localizações para seu continente. As traduções para inglês, francês e espanhol já estão sendo feitas, NoA!

Ainda não passou tempo suficiente para afirmarmos que os jogos são causas perdidas - principalmente com a Operation Rainfall em ação -, mas, em todo caso, já é bom preparar-se para esperar um pacote vindo da Europa.



Já essas são feridas já cicatrizadas, mas que ainda dão aquela agonia quando pressionadas. Três jogos inteiramente traduzidos que já foram lançados para o Wii na Europa: Another Code: R - A Journey Into Lost Memories, jogo de aventura da falecida Cing; Disaster: Day of Crisis, o jogo de ação que tem como cenário um mundo sofrendo com sequências de desastres naturais; e New Play Control! Pikmin 2, que dispensa apresentações.

Another Code: R é, definitvamente, um jogo que atingiria apenas um público pequeno, com sua jogabilidade point-and-click, caso chegasse às Américas. Mas o jogo do qual ele é sequência, Trace Memory, também era - e, em tempos diferentes, ele foi lançado por aqui. Disaster tinha propostas e jogabilidade de qualidade. Com o marketing certo, podia ser relativamente grande, principalmente na época em que apareceu originalmente, no auge do Wii. E Pikmin 2... Como assim, NoA? Mario Power Tennis veio, os Metroid Prime vieram, até o Pikmin original. Mas o jogo de GameCube que mais ganharia com os controles do pointer do Wii Remote, não.



Além de excelentes remakes, o DS recebeu também inúmeros RPGs originais de qualidade. No Japão, a Nintendo incrementou essa lista com seus próprios títulos. ASH: Archaic Sealed Heat, um consistente RPG de estratégia da Mistwalker e da Racjin, e Soma Bringer, outro dos jogos da Monolith, são dois exemplos. Atesto pela qualidade dos dois, por ter importado ambos pessoalmente. Mas a barreira do idioma é enorme, e o esforço para aproveitar jogos do gênero com guias de traduções abertos constantemente no PC é no mínimo inconveniente.

A line-up de RPGs da Nintendo que ficaram estritos ao Japão ainda tem os interessantes conceitos de Kurikin: Nano Island Story, no qual os jogadores devem obter e criar cem espécies diferentes de bactérias e utilizá-las em combates. A ideia lembra Pokémon, mas não o sistema de batalhas, que possui sérias heranças de jogos de estratégia em tempo real.



Não só jogos originais foram deixados para trás pela NoA. Another Code: R é um exemplo, e Last Window: The Secret of Cape West é outro. O último jogo da Cing também era uma sequência - mas uma para um jogo muito mais bem-sucedido comercialmente, Hotel Dusk: Room 215. Nas Américas, a história de Kyle Hyde nunca teve prosseguimento.

A série Fire Emblem, por sua vez, só começou a sair do Japão a partir de seu sétimo jogo. Veio o primeiro remake de DS para fazer os fãs deste lado do mundo recuperarem o tempo perdido, mas o segundo, adivinhe, também ficou só no Japão. Fire Emblem: Shin Monsho no Nazo ~Hikari to Kage no Eiyu~ dá prosseguimento à história do príncipe Marth, que nunca foi lida inteiramente em inglês. Ainda há Densetsu no Stafy 4, de uma das séries de plataforma da Nintendo ignoradas pelo Ocidente. Felizmente, a NoA trouxe o capítulo seguinte da série, batizado por aqui de The Legend of Starfy.



Eles dizem que Tingle não é exatamente o personagem Nintendo mais amado no Ocidente. Eu admito. Mas, se eles ao menos tentassem, quem sabe esse quadro não mudaria? Afinal, todo o contato que as Américas têm com o homem que acha que é uma fada foi feito por meio das aventuras de Link em Zelda. Nelas, ele incomoda um pouco por parecer totalmente fora de contexto. Em seu próprio mundo, porém, Tingle até que faz sentido, e torna-se uma grande figura.

Trazer os sensacionais jogos de aventura de Tingle para o DS Freshly-Picked Tingle's Rosy Rupeeland e Irozuki Tincle no Koi no Balloon Trip, o bônus do Club Nintendo Tingle's Balloon Trip, e até a coletânea de "minigames" de DSiWare Dekisugi Tincle Pack - todos da Vanpool - deveria ser obrigação da NoA. Afinal, são spin-offs da série Zelda. Mas aparentemente nada mais nesse mundo é sagrado.



Fora de consoles Nintendo, todos os jogos da pouco ortodoxa série de survival horrors Fatal Frame saíram no Ocidente. Colocaram a publisher no meio, e acabou a alegria dos fãs. Zero: Tsukihami no Kamen, conhecido pelos sonhadores como Fatal Frame IV, trouxe não só as grandes mentes por trás dos capítulos anteriores da série para o fronte, mas também Suda51 e a Grasshopper Manufacture. Um segundo jogo da série para o Wii, aparentemente um remake de Crimson Butterfly, sairá no Japão em breve. Nas Américas, nem tanto.

A Sandlot lançou no ano passado Zangeki no Reginleiv, uma espécie de Sin & Punishment medieval baseado na mitologia nórdica. Mas jogadores ocidentais nunca tiveram a chance de experimentar o título, que, em sua humilde lista de características trazia suporte ao MotionPlus, um sistema de armas personalizáveis com mais de 300 opções distintas e um modesto modo online cooperativo para até quatro pessoas.

Takt of Magic envolvia feitiços que deveriam ser feitos com movimentos do Wii Remote, e também tinha um multiplayer online. Desenvolvida pela Taito, a sequência espiritual de LostMagic, um híbrido de RPG e RTS, foi um fracasso de vendas no Japão. Parte da culpa disso está, como de costume, na total ausência de marketing do jogo por lá. A falta de tato da matriz foi o suficiente para a NoA não chegar nem ao menos a reconhecer sua existência.



As divisões europeia e japonesa da Nintendo compartilham em suas listas alguns outros lançamentos de DS que nunca apareceram no extremo Ocidente. Jam with the Band é um destes. Mais uma ferramenta do que um jogo, ele permitia a criação e o compartilhamento de músicas, com a ajuda da Wi-Fi Connection. Muito bem-sucedido no Japão, o lançamento do jogo veio até acompanhado de um canal exclusivo para o Wii, com o qual o DS se comunicava para transmitir faixas sonoras. Aliás, seu predecessor, Daigasso! Band Brothers também nunca apareceu fora do Japão.

O curioso Make 10: A Journey of Numbers, da MuuMuu, é outro. Quebra-cabeças educacionais misturados com uma jogabilidade no estilo aventura fariam dele um sucesso entre crianças americanas, como outros nomes da linha Touch! Generations. Face Training e suas técnicas de relaxamento muscular não seriam de grande interesse para a maioria gamers, mas também poderiam ter saído nas Américas levando o selo da categoria.



Calma que ainda falta muito. Kousoku Card Battle: Card Hero, de Yoshio Sakamoto, é um jogo que poderia ser grande se a Nintendo quisesse. Sequência para um jogo de Game Boy Color que também misteriosamente não foi lançado por aqui, o RPG oferecia um batalhas com cartas bem semelhantes às de Pokémon Trading Card Game. O nome "Card Hero" chegou a ser registrado pela NoA dois anos atrás, mas cá estamos, e nada. Uma espécie de sequência, Card Hero: Speed Battle Custom, também saiu exclusivamente no Japão pelo DSiWare.

Um beat 'em up da Nintendo? Zekkyo Senshi: Sakeburein, ou Exclamation Warriors. Lançado pelo Club Nintendo no Japão, o título permitia o controle de um grupo de super-heróis sentai por meio de gritos (exclamações) ao pé do microfone do DS. Sim: comandos de voz como "chute!" e "soque!" eram devidamente representados na telinha.

Chosoju Mecha MG é outros dos jogos de DS exclusivos do Japão. Assim como Zangeki no Reginleiv, este simulador de lutas de mechas foi desenvolvido pela Sandlot. O mais perto que as Américas chegaram dele foi em Super Smash Bros. Brawl, com um arranjo feito por Masafumi Takada de seu tema, "Marionation Gear". Ou com a verão no YouTube de seu comercial. Chou-shou-ju-mecha-emu-dji!.



Tente não rir da minha cara quando eu te disser que a Nintendo desenvolveu e lançou no Japão um simulador de combate aéreo no estilo Ace Combat, porque é verdade. Jet Impulse chegou a ser mencionado pelas divisões ocidentais da empresa, como um tal de DS Air. Até apareceu um logotipo, mas não passou disso.

Project Hacker: Kakusei é outro conceito improvável para se tornar um jogo distribuído pela Nintendo. Mas, em 2006, o título de aventura point-and-click da Red Entertainment, que envolve quebra-cabeças que colocam o jogador no papel de um hacker, foi lançado no Japão mesmo assim. Em termos de ideias originais há ainda Mawashite Tsunageru Touch Panic, um jogo de quebra-cabeça da Aki Corporation em que o objetivo era girar os quadrados de uma malha para fazer com que uma bola atingisse a saída de cada estágio. Com multiplayer online e tudo mais.



Ainda no gênero quebra-cabeça, a Nintendo ofereceu aos fãs japoneses theta, da Vitei. Houve também o ambicioso jogo de ação da Agenda Slide Adventure MAGKID, que acompanhava um estranho acessório que devia ser acoplado no slot para cartuchos de GBA do DS e do DS Lite. Com ele, o portátil transformava-se em um mouse óptico, e devia ser movimentado sobre uma superfície plana para o controle do protagonista.

Talvez a única localização perdida que a Nintendo fez questão de explicar foi a de Tomodachi Collection, um extremo sucesso comercial no Japão que não veio para o Ocidente por questões técnicas do software, que tinha sido programado exclusivamente para gerar diálogos em kanji. Em termos de jogabilidade, o título era uma espécie de The Sims com Miis, que podiam alimentar-se, vestir diferentes roupas, interagir com outros personagens e até abrir estabelecimentos comerciais.



Conhecendo a Nintendo, todos já sabiam logo no anúncio que Captain Rainbow jamais sairia de seu país de origem. Uma pena, pois já existiram casos de coleções de bizarrices japonesas dando certo fora de lá. E mesmo os fãs que não gostassem de tal elemento no jogo de ação e aventura provavelmente se deliciariam com a presença de figuras como Little Mac, Tracy de Link's Awakening, Birdo e os soldados de Famicom Wars no mundo do protagonista Nick, que era repleto de outros personagens esquecidos e obscuros do universo Nintendo.

Mas, acima de tudo, o que mais me dói pessoalmente é o descaso da Nintendo com a série Chibi-Robo!. Foram três jogos e um port - e nenhum deles teve uma chance. O original da série da Skip saiu no fim da vida do GameCube, quando este já era irrelevante. A sequência, Park Patrol, não apareceu na Europa e foi lançada nas Américas com exclusividade para as lojas Wal-Mart. Não, não é brincadeira. Obviamente, os números foram baixíssimos: e por isso não recebemos nem New Play Control! Chibi-Robo! no Wii, nem Okaeri! Chibi-Robo! Happy Richie Osoji!, de DS. A Nintendo comete erros, e quem paga são os fãs, e o pequeno robô, que provavelmente permanecerá sendo apenas uma promessa do passado nos anos que virão.



Eu já falei muito, mas poderia falar muito mais. Entre lançamentos físicos e digitais, como as três versões do último Pokémon Mystery Dungeon e Line Attack Heroes de WiiWare, e até mesmo Donkey Kong - Original Edition e Mario's Super Picross no Virtual Console, ainda faltam literalmente dúzias de jogos que não vimos e provavelmente nunca veremos por essas bandas, porque, aparentemente, nem mesmo as mais bem-sucedidas plataformas da história da Nintendo são dignas de suporte completo da NoA ao longo da totalidade de suas vidas úteis. O jeito é torcer para que, com o 3DS e o Wii U, a coisa seja um pouco diferente.

... Mas, bom, ao menos só nós ganhamos Excitebots.

Atualização: Risquem Xenoblade da lista. Otimismo.

















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