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O que o corte de preço do 3DS representa?
escrito por Thales Nunes Moreira

A redução de preço do Nintendo 3DS nos comunica muitas coisas. Em primeiro lugar, que apenas anúncios de grandes séries não vendem um console. Depois, que o planejamento da Nintendo para o portátil não agradou aos seus investidores. E, por último, que a Nintendo finalmente deixou a zona de conforto do Wii e DS.

As ações da Nintendo recentemente atingiram o patamar mais baixo em muitos anos. É natural, uma vez que o 3DS mal tem conseguido competir com o PSP no Japão, além de estar tendo um desempenho pífio nas Américas. O Wii, evidentemente, também tem sua parcela de culpa, já que, em todos os mercados, as suas vendas nem longinquamente lembram o fenômeno que vendeu mais de três milhões de unidades em um país num único mês, além do Wii U, cuja apresentação na E3 foi fraca, mas é óbvio que o 3DS é o maior responsável pela atual situação financeira da Nintendo.

Olhando para o calendário de lançamentos do portátil, podemos notar que a Nintendo tinha uma linha de lançamentos muito bem espaçada. Nintendogs+cats no lançamento, Ocarina of Time 3D em junho, Kid Icarus: Uprising e Super Mario 3D Land em novembro, Mario Kart 7 em dezembro e vários jogos de peso de produtoras terceirizadas prometidos para 2012. Está óbvio, porém, que essa estratégia não funcionou. Ou, melhor dizendo, não teve a chance de funcionar. Mario, Kid Icarus, Mario Kart são franquias de peso, mas não há certeza sobre o seu poder de alavancar as vendas de um hardware que não estava conseguindo competir com consoles que estão no mercado há 5 ou 6 anos.


Então, tivemos o corte. O 3DS, em seu lançamento, custava o equivalente a um Wii comprado há cerca de 2 anos atrás. Foi um corte extremamente brusco e, até certo ponto, desesperado por parte da Nintendo. 80 dólares é quase um terço do preço original do 3DS, 249 dólares, em seu lançamento americano. A última vez que a Nintendo fizera tamanha redução em um de seus consoles de forma tão rápida foi com o GameCube, que sofrera uma queda de 25% seis meses depois do seu lançamento. Fazendo um retrospecto ainda maior, o Nintendo 64 sofreu uma queda equivalente após o mesmo período e o preço do Virtual Boy caiu 11% com apenas dois meses de vida. É extremamente equivocado, porém, dizer que o 3DS terá o mesmo destino desses consoles. São épocas diferentes, consumidores diferentes (mesmo os que permaneceram dessas épocas estão diferentes), prioridades diferentes, aparelhos com propostas completamente diferentes. O 3DS foi uma aposta extremamente ousada, mas que também tinha uma certa segurança, já que os cinemas 3D são responsáveis por fatias cada vez maiores das bilheterias. E, de fato, é uma tecnologia impressionante e que tem um potencial de atração de público e de produtoras muito grande. Ou seja, mesmo com uma certa instabilidade, o 3DS tem os elementos certos para vender o suficiente para convencer os investidores da Nintendo, ele tem um apelo comercial muito forte.

É muito equivocado, porém, pensar que o corte de preço do 3DS representa algum tipo de crise na Nintendo. Ora, a Sony passou por uma situação semelhante no lançamento do PS3 há cerca de cinco anos e, no entanto, hoje está muito bem. E, assim como a Sony, a Nintendo sofre por altas expectativas baseadas em vendas de consoles que antecederam os atuais. Mas um sucesso não se cria do dia para a noite. É claro que o 3DS não tem o mesmo apelo do DS, assim como o PS3 não tinha o mesmo apelo do PS2. Então, esses consoles naturalmente não teriam a mesma trajetória meteórica dos seus predecessores. Os riscos de lançar um novo hardware são altíssimos, como incerteza nas vendas e justamente as altas expectativas geradas por sucessos anteriores. O 3DS estava vendendo mal, é um fato. Mas isso não significa que a situação esteja fora de controle, como muitos tendem a encarar diante de um corte tão grande; corte esse que só foi possível pela competência da Nintendo em fazer dinheiro com o Wii e o DS. É verdade, é uma situação extremamente delicada e que irá requerer o máximo de tato por parte dos executivos da empresa, mas é muito cedo para dizer que isso representa um fracasso para um hardware de apenas 4 meses; muito menos um problema que irá afetar seriamente a Nintendo.

 



É difícil prever os efeitos imediatos dessa redução. Obviamente haverá um salto imenso nas vendas, mas quanto disso seria apenas fogo de palha? Essa é uma decisão é extremamente arriscada, pois trará prejuízos à Nintendo com cada console vendido. A Sony explorou bem essa estratégia com o PlayStation 3, mas trata-se de uma empresa com muitos outros setores e que pode se dar ao luxo de subsidiar fortemente os seus produtos. Certamente, a Nintendo espera que a venda de softwares e o lucro obtido com o Wii e o DS possam cobrir o déficit, algo em que se pode contar com relativa segurança, todavia esse desconto seguramente ainda muitas trará dores à cabeça de Satoru Iwata e seus empregados, porque a empresa não poderá se dar ao luxo de reduzir significativamente o preço do 3DS no futuro, uma solução que poderia se mostrar eficiente, contudo já não é mais uma alternativa. Então, tudo que podemos esperar é um suporte massivo de softwares por parte da Nintendo, que certamente será mais cautelosa em todos os sentidos daqui pra frente. Possivelmente veremos muito mais jogos de franquias clássicas do que novas propriedades intelectuais, por exemplo, em vez de experimentos como Pikmin ou Wii Music. E mesmo que as séries atuais sejam muito lucrativas, a Nintendo precisa realmente criar novas se quiser se manter no mercado por mais algumas décadas.

No cenário maior, porém, podemos tirar bons pontos dessa situação. Esse corte de preço do 3DS pode ser mais significativo do que o próprio lançamento do 3DS. A Nintendo que sai disso - esperamos - é uma Nintendo que percebe que apenas estampar o seu logotipo em uma caixa não é garantia de lucro, uma Nintendo mais proativa e mais preocupada com a confiança de seus consumidores. E isso talvez seja a chave para o sucesso do Wii U.



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