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"O Cidadão Kane dos Videogames" Não Existe
Postado por Pedro Henrique Lutti Lippe
Enquanto o mundo sofria com um dos mais duros períodos da Segunda Guerra, a indústria cinematográfica era silenciosamente revolucionada por um gênio visionário sem experiência alguma na área. Era a primavera de 1941, e Cidadão Kane chegava aos cinemas.

O longa-metragem de Orson Welles não foi muito bem recebido comercialmente, mas logo em seus primeiros dias já surpreendeu positivamente os críticos. Seu real legado, porém, tornou-se evidente apenas mais tarde. Suas técnicas de cinematografia sem precedentes, suas mecânicas narrativas inovadoras e seu uso engenhoso de efeitos especiais e elementos sonoros uniam-se para formar um conjunto em que até mesmo os menores detalhes tinham uma finalidade definida na construção da história.

Por sua primazia técnica, Cidadão Kane abriu os olhos de uma indústria inteira para seu real potencial, e influenciou praticamente todas as grandes obras que vieram depois daquela conturbada primavera.



E a nossa crítica especializada insiste em, ano após ano, buscar "o Cidadão Kane dos videogames". Jornalistas do ramo vêm há pelo menos duas décadas lançando seus corpos desesperadamente contra quaisquer oportunidades de premiar um ou outro lançamento com esse título, sempre subestimando o peso absurdo que ele carrega. A lista dos cidadãos interativos inclui desde menções razoáveis como Super Mario 64 e Metal Gear Solid 2 até outras ridículas no nível de Braid e Journey, e não pára de crescer nunca. BioShock Infinite nem saiu das fraldas e já foi jogado no cesto.

Existem diversos problemas com essa comparação, mas descartando os demais, o mais superficial deles já é suficiente para descreditar os que a utilizam em seus textos. Trata-se do fato de ser impossível garantir que um jogo terá um legado comparável ao do filme de Welles assim que ele chega às lojas. Suponha que The Last of Us seja o melhor game da história, que revoluciona todas as mecânicas de seu gênero de maneira inteligente. Não digo que esse seja o caso, mas imagine a hipótese. Mesmo em um mundo em que isso é verdade, um crítico não pode afirmar horas após terminar a campanha pela primeira vez que ela mudou o rumo da indústria, pelo simples motivo de que essas mudanças de rumo levam anos para tornarem-se evidentes.

O próprio Cidadão Kane, apesar de bem recebido inicialmente, rapidamente desapareceu dos círculos de discussões entre críticos, esquecido. Seu real impacto só começou a ser observado anos depois, quando o filme chegou à França depois da Guerra, impressionando intelectuais como o filósofo Jean-Paul Sartre e o cineasta Jean-Luc Godard, e sua popularidade só alcançou o nível que tem hoje 15 anos após sua estreia original, quando o circuito televisivo norte-americano obteve seus direitos de transmissão.

Críticos têm o direito de especular, claro. Mas em um texto analítico, comparar um jogo ao longa é um comentário vazio. Quando Matt Kamen, do Empire, equipara The Last of Us à Kane, ele está apenas fazendo uma aposta, que teria o mesmo valor em uma resenha de Star Trek: The Video Game - ou seja: nenhum.



Em sua conclusão, Kamen afirma que o mais recente lançamento da Naughty Dog tem potencial para tornar-se "uma obra-prima que será relembrada de forma favorável por décadas." E isso evoca o segundo problema com as comparações: os críticos não entendem o que estão dizendo quando citam Kane.

Na cabeça de Kamen, falar que The Last of Us "pode ser o Cidadão Kane dos videogames" é o mesmo que dizer da forma mais hiperbólica possível que o jogo "é muito, mas muito legal." Mas Kane não foi apenas um filme muito, mas muito legal - e sim um filme que mudou tudo. Jornalistas utilizam essa frase como se ela fosse apenas o mais alto elogio que um jogo pode receber, quando na verdade ela deveria representar mais que isso. Se um dia o Cidadão Kane dos videogames aparecer de verdade, ninguém acreditará, de tão diluída que está a comparação.

Claro: nem todos os críticos culpados de assinar textos com a comparação são como Kamen. Alguns deles entendem a real importância de Cidadão Kane - seu aspecto revolucionário. Mas interpretam mal os motivos pelos quais o filme é aclamado. A trajetória do protagonista Charles Foster Kane é interessante e envolvente, mas a obra de Welles não impactou a indústria por sua trama, e sim pela forma com que ela era contada, assistida por elementos como tomadas sob ângulos nada convencionais e efeitos sonoros utilizados como em uma produção de rádio.

Sem sequer entrar no mérito da história de Grand Theft Auto IV, esse fato torna as comparações entre o jogo e o filme clássico mais risíveis que Hilary Goldstein declarando que a trama do jogo era "digna de Oscar." Isso porque os aspectos do cinema revolucionados por Kane têm como equivalentes na indústria de games as mecânicas de jogabilidade, e o título de mundo aberto da Rockstar falha miseravelmente até mesmo em executar muitas dessas de forma consistente. Revolucioná-las, então?



Em uma outra faceta do espectro das interpretações equivocadas está Michael Thomsen, que argumentou em uma rede de TV aberta norte-americana que Metroid Prime, sim, seria o Cidadão Kane dos videogames, porque o jogo é supostamente muito mais imersivo que todos aqueles que o precederam. Como evidências de sua tese, o jornalista citou como os jogadores sentem-se na pele da heroína Samus Aran por enxergarem o mundo através de seu visor, sendo capazes de ver gotas d'água escorrendo nele e o reflexo de seu rosto em explosões, e também por poderem conhecer mais sobre o mundo ao seu redor através de detalhes plantados nos cenários.

O erro de Thomsen está no fato de que nenhum dos exemplos que ele menciona são exclusivos dos videogames. Um visor com gotas d'água é algo que pode ser facilmente reproduzido na forma de uma pintura, de uma fotografia, ou até mesmo de um filme - e ele certamente não representa uma revolução em termos de jogabilidade, independentemente do quanto ele torne a experiência mais envolvente.

Ao estudar a fundo exemplos de textos que utilizam essa comparação, é fácil perceber que os críticos que a fazem não sabem do que estão falando. De uma forma ou de outra, é possível demonstrar como eles estão sempre equivocados sem nem precisar macular as famas e os méritos dos jogos analisados. É claro que The Last of Us e Metroid Prime são bons games. Mas de onde surge a ânsia de rotulá-los de Cidadão Kane dos videogames?

Claro: da crise de identidade nascida da imaturidade da indústria. Aqui entra aquele debate em torno da pergunta "videogames são arte?", que já está velho e surrado. Há no meio uma busca desesperada pela validação dos jogos como uma mídia adulta. Não artística! Antes de tudo, desenvolvedores, jornalistas e fãs estão atrás de ter as produções que se encaixam no rótulo de entretenimento interativo reconhecidas como algo a mais do que meros passatempos para crianças.



Alguns querem traçar paralelos entre diferentes ramos para que os games sejam mais respeitados. Mas nessa busca, perde-se o foco na realidade de que cada mídia é única. Para a tristeza de Goldstein, uma trama de jogo nunca será "digna de Oscar" simplesmente por não estar sendo apresentada no formato de um filme. Da mesma forma, não existe e nunca existirá um Cidadão Kane dos videogames. Pelo contrário: na indústria dos jogos, podem existir vários Kanes - e, logo, nenhum. Não é possível que uma única produção tenha na nossa mídia um impacto tão grande quanto o filme de Welles teve na dele, porque a mídia interativa tem como sua maior especificidade uma diversidade descomunal.

Super Mario Bros. revolucionou a forma com a qual jogos de plataforma 2D eram produzidos, enquanto Super Mario 64 construiu a base para o gênero no âmbito tridimensional. The Legend of Zelda: Ocarina of Time, EverQuest, Grand Theft Auto III... Todos fizeram suas pequenas revoluções e deixaram um legado enorme. Mas nenhum deles conseguiu, e nenhum futuro lançamento jamais conseguirá ser o único marco divisor de águas para a indústria, porque ela apresenta suas produções em um número infindável de formatos diferentes que pouco compartilham entre si. Ela é muito mais diversa que a indústria cinematográfica.

Comparam jogos à Cidadão Kane com a noção errada de que sua chegada às telonas foi o que legitimizou a produção cinematográfica e que, de forma semelhante, haverá um título específico que mudará a percepção do mundo em relação à produção de games. Heavy Rain, Red Dead Redemption e muitos outros tiveram suas chances e vários ainda terão, mas esse dia jamais chegará. Essa busca dos jornalistas pela rotulação do "Cidadão Kane dos videogames" é fútil, e a contraprodutiva fraqueza dos que não resistem e convocam Orson Welles em suas críticas serve apenas para exemplificar a imaturidade da indústria.
COMENTáRIOS • site
Ro.G.er_Silver
06/11/2013 às 19:18
"Não me levem a mal, é um bom jogo. Mas essa síndrome de épico dos hardcores chega a ser patética."

Inveja porque nintendista não tem essa "briga"?

Aliás, não é essa mesma Epic Fight que vocês nintendistas tem quando sai um novo Zelda pra consoles? Qual Zelda vai ser mais épico que Ocarina? Alguém disse Ocarina? Se Wind Waker é melhor! Não, Skyward é melhor!
BBK
27/10/2013 às 19:04
Muito bom o artigo. Acho que o crescimento dos jogos e dos filmes são totalmente diferentes, a comparação de filmes com jogos é um pouco subjetiva. Em analogia podiamos comparar o pelé com o messi, qual é o melhor jogador? Impossivel dizer, são epocas diferentes eles tiveram tecnologias diferentes em função deles. Entre filmes posso falar de Star Wars, no qual george lucas conseguiu fazer algo fantastico com batatas como asteroides e uma pessoa dentro de um tambor improvisado(r2-d2) e depois com a ajuda de tecnologia ele se superou uma vez mais. Entre jogos não tem como citar a franquia Mario Bros, pois a cada jogo(ou quase) revolucionou de alguma maneira os jogos deixando para trás os outros consoles. Hoje em dia o cinema está sem ideias, cada vez mais existem remakes e jogos que viram filmes, e livros que viram filmes mas os games estão na fase mais criativa, com infinitas franquias que impressionam o mundo e novos jogos que chegam para competir com essas franquias. Acho uma comparação muito injusta, e um julgamento mais injusto ainda.
Thales
26/06/2013 às 05:44
" essa síndrome de épico dos hardcores chega a ser patética."

Isso não poderia ser mais verdade. Tudo é uma competição. Todo mundo precisa tomar partido nessa competição. É absolutamente ridículo e eu arrisco dizer que esse tipo de coisa, na raiz, é a razão pela qual essa mídia ainda não se desenvolveu como poderia. Pode-se discutir o quanto quiser sobre jogos serem arte ou não, mas, no fim, é realmente só terminologia. Todos as pessoas que gostam de jogos querem que eles se desenvolvam e sejam algo a mais do que são hoje e eu realmente penso que essa cultura do hype, do "épico", vai prejudicar essa evolução por vários anos ainda.
Tony Montana
25/06/2013 às 15:05
Videogame não é arte.

The Last of Us quer ser jogo, mas tem muita cutscene. Ele também quer ser filme, mas é um videogame.

"Então o que é The Last of Us?"

Alguma coisa com "Only on PS3" na capa para nerdões ficarem falando "GOTY GOTY GOTY" em fóruns pela internet.

Não me levem a mal, é um bom jogo. Mas essa síndrome de épico dos hardcores chega a ser patética.
Ród
25/06/2013 às 11:08
Aos que reclamam: Cidadão Kane é a referência, pois vários e vários sites compararam The Last of Us recentemente a ele.

Só discordo com o Shiggy quando ele escreve: " 'é muito, mas muito legal.' ", se referindo ao que escreveram nos reviews dos games. Legal me lembra divertido. The Last of Us, pelo que li a respeito - ainda não joguei -, não é um jogo legal ou divertido.

É um jogo bom, com uma atmosfera pesada, depressiva. Para mim há uma diferença clara entre ser bom e divertido, numa visão crítica. São qualidades distintas. Tenho certeza que The Last of Us é excelente, mas não no sentido de diversão.

Mas a minha "crítica" é apenas pela escolha de palavras, não altera em nada o conteúdo do artigo. Não vou elogiar de novo senão o cara fica esnobe :P
Night Fox
24/06/2013 às 12:51
Primeiramente, ótimo texto! Um tema bem interessante.

Agora discutindo sobre o assunto... como alguns já comentaram acho que o texto foi um pouco infeliz em elevar demais o filme (Cidadão Kane). Da mesma forma que na indústria dos videogames fica difícil rotular um único produto como o mais revolucionário em seu meio a indústria cinematográfica também segue a mesma procura.
Cidadão Kane É de fato um marco do cinema, mas, pessoalmente, acho que não é o único e nem tão mais grandioso do que outros desta indústria. Seu peso e impacto são inegáveis, mas Cidadão Kane dificilmente viverá para sempre como um exemplo único no mundo do cinema, mundo que continua crescendo e tentando criar novos "Cidadãos Kane"
Veja o filme Avatar por exemplo: não estou dizendo que Avatar seja bom como Cidadão Kane!! Mas o filme do James Cameron trouxe uma nova (velha?) forma de o público ver filmes, sendo assim ele também é um marco do cinema, mesmo que só no aspecto técnico.
E videogames seguem a mesma linha. Concordo que comparar um jogo com o filme Cidadão Kane é desnecessário, pois são dois universos paralelos... a crítica vem tentando fazer essa comparação a anos, provavelmente pra elevar a indústria de videogames ao nível de "Arte"
como diz no texto.
Mas eu acho, sim, que é possível enxergarmos marcos na indústria de jogos. Realmente é um segmento bem mais diverso que por isso dificulta traçarmos em que um único jogo pode revolucionar todos os demais, mas aqui acho que o texto foi infeliz mais uma vez.
De fato, como diz o artigo, é meio que uma falha compararmos ambas as indústrias na busca de um único jogo que tenha tido um impacto semelhante ao do filme, mas para mim a verdadeira falha nas comparações, que o texto parece não mostrar, é o fato de não ser possível pegar o conceito do que é "ser um Marco" na indústria de cinema e usá-lo para encontrar o Marco da indústria de jogos.
Ou seja, para encontrar os grandes jogos que mudaram a história os críticos precisam parar de comparar jogos e cinema, jogos e literatura etc... é preciso ver o que torna um jogo único, o que torna ele superior aos OUTROS JOGOS e não o que torna tal jogo tão belo como uma obra de outra mídia.
Quanto à diversidade do mundo dos games... eu não enxergo bem assim. Para mim Super Mario Bros., Zelda Ocarina of Time e outros são sim um Marco (não é "O Cidadão Kane dos videogames", mas simplesmente o Zelda Ocarina of Time ou o Super Mario Bros. Cada um cada um)... eles inovaram em suas épocas, inovações que foram carregadas por muitos outros jogos, inclusive por jogos com temáticas bem diferentes. E mesmo após o tempo eles continuam grandes exemplos, grandes nomes que remetem ao sucesso e primazia no mundo dos videogames. Se isso não é ser um marco (para um jogo) então eu não sei o que é!
Enfim, novamente digo, gostei demais do texto... o autor tá de parabéns. Minha opinião escrita aqui não tem como intenção desvalidar o artigo e sim acrescentar outro ponto de vista!
Hector Bonilhas
24/06/2013 às 11:48
Muito bom artigo, parabéns.
Gosto muito de filmes que marcaram e mudaram o cinema, Cidadão Kane é um dos melhores sem dúvida (mesmo eu não achando o primeiro, preferindo Um Corpo que Cai e outros), quando aos games creio que Super Mario do NES se compara em importãncia histórica
Zappa
24/06/2013 às 03:26
Como se "Cidadão Kane" fosse o único e absoluto marco na história do cinema.
As comparações servem para ajudar no entendimento, embora quase sempre tenham um quê de absurdas.

E é importante sempre lembrar que críticas são opiniões pessoais de quem as escreve, e não verdades que você deve aceitar inteiramente. Se eu quiser falar que Kirby: Epic Yarn é o "A Love Supreme" dos games, ou que Zelda é o "Ulisses" interativo, e alguém quiser me pagar por isso... não vejo problema algum.
Beto FdP
24/06/2013 às 00:27
Parabéns pelo artigo, está muito bem escrito.

Tenho que deixar minha indignação sobre o Kane atual ser The Last of Us aqui...

Em termos técnicos, é um Uncharted com tema alterado, as animações são as mesmas, os cenários são montados de forma idêntica, a Inteligência artificial é igual (pontos fortes e fracos, afinal é a mesma) e o objetivo do jogo é similar.

Em termos de roteiro, o uso exagerado de Tropes (não sei o equivalente em português) é bem típico da Naughty Dog, a mulher no congelador (a filha do Joel), o sobrevivente, apocalipse e até a síndrome de Rambo.

Não estou dizendo que o jogo é ruim, como jogo é sensacional, mas como produção não chega aos pés de grandes obras do cinema, ou até mesmo das mais singelas obras literárias.

Portanto não tem como ser um Kane de qualquer coisa que seja, é tão batido quanto os outros.
Beto FdP
24/06/2013 às 00:16
Apenas rótulos...

É bem verdade que isso não passa de um anseio por uma valorização do segmento. Dedicar a sua vida a um assunto que não passa de uma ferramenta de diversão, ou "brinquedo de criança" tende a gerar um auto preconceito. Pena que não podem pensar que estão dedicando-se a algo que afeta milhões de indivíduos e gera mais produção do que muitos setores vitalícios.

Achar esse "Cidadão Kane dos videogames" seria ter de concreto o certificado de participação em algo maior.... são só jogos.
Al-Rashid
23/06/2013 às 22:54
A maioria dos roteiros de VG já existem em várias outras mídias, por isso sou muito pé atrás com esses tais roteiristas brilhantes desta industria. Mas ao contrário de achar que isso é um ponto negativo, na verdade é um ponto a favor já que vc pode fazer o jogo de imaginação que afasta a alteridade e começa a brincadeira divertida que é jogar video-game, que NÃO se comporta como arte, apesar da ansia que parte dos desenvolvedores querer ser algo que no fundo eles não são.

Enfim a idéia do artigo é ótima. Parabéns.

caimos no conceito de clássico. Na industria de VG existem vários e o clássico tem uma relação com o tempo e seus efeitos nos meios circulantes como propôs Hayden White e isso é algo que escapa de qualquer um. Ninguém tem o poder de determinar um clássico. SÓ O TEMPO.

Mas se vc procura games que sozinhos mudaram a indústria volte pra PONG, pq esta industria é filha dele. Reinventado em PACMAN, SPACE INVADERS e Super Mario Bros, após esses games teve um interstício muito grande que foram apenas evoluções de conceito sem revolução. Talvez GTA 3, e Wii Sports/Wii Fit tenham chegado mais perto disso, mas nenhum jogo clássico pode ser decretado como tal de berço.

Ceruio
23/06/2013 às 22:12
O verdadeiro Cicacão Kane dos videogames:
Mother
DK
23/06/2013 às 22:08
(PALMAS) .....

''Podem existir vários Kanes - e, logo, nenhum''.

Logo, terá vários jogos revolucionados ''continuamente'' e perfeitos.
Feiona da Webcam
23/06/2013 às 21:05
artigo bem escrito mas ele peca em colocar kane num pedestal
existiram outros filmes tao revolucionarios qto kane, msm q com outras inovaçoes e vertentes do cinema

fik dica
Thales
23/06/2013 às 20:25
Puta que pariu, Pedro Henrique, queria ter escrito isso.
Angel
23/06/2013 às 20:20
''Particularmente não vejo problema nenhum em utilizar a analogia com Cidadão Kane para games que marcam suas respectivas gerações.''

O Problema está justamente no fato de que na indústria dos games nunca houve um único jogo que fosse um divisor de águas, do modo que foi Cidadão Kane: ele foi um marco pro cinema, aquilo exclusivamente mudou tudo, e é muito improvável...alias, nunca houve um jogo fosse um marco único pros videogames pelo fato de que a indústria dos video-games é muito mais diversa que a do cinema, e nesse ponto eu concordo plenamente com o artigo.

E, bom, acho que isso não se sustenta por opiniões, porque o que se discute são fatos...
ferrers405
23/06/2013 às 19:58
Belo texto, bem apresentado e explicado Henrique, realmente a indústria de videogames é muito nova e precisa de um tempo para determinarmos os rumos reais que ela irá tomar no futuro em conjunto com a tecnologia disponível, é claro a jogos marcantes como Mario Bros ou belos como Journey, mas muito delimitados em seus nichos de mercado.
ironmateus
23/06/2013 às 19:45
"Pelo contrário: na indústria dos jogos, podem existir vários Kanes - e, logo, nenhum."

Esse trecho do artigo, na minha opinião, é totalmente inválido. Há vários marcos (Kanes) na indústria e esses marcos sempre, ou quase sempre, são invocados para demonstrar as raízes ou as bases que influenciam as tendências mais atuais, ou seja eles existem. Dizer que existem marcos é exatamente dizer que "existem marcos", somente se TODOS os games fossem marcos é que não existiria marcos. Particularmente não vejo problema nenhum em utilizar a analogia com Cidadão Kane para games que marcam suas respectivas gerações.

Tungs
23/06/2013 às 17:16
Eu acredito que como a indústria dos videogames nasceu justamente numa era de hiperconectividade e rapidez, a forma de como encarar os jogos foi formada de maneira muito rápida e desestruturada, principalmente se você comparar o tempo que a pintura, dança e outras formas de arte consagradas levaram para amadurecer. A concepçao inicial de 'produto direcionado a crianças' ser transformada em 'produto direcionado a todos' e por fim em 'produto atístico' deveria levar um tempo que não pode ser concebida em 40 anos, que é o caso do segmento dos jogos. Francamente, ainda não quero que jogos sejam considerado como 'arte' porque creio que o conceito de videogame ainda está muito cru. Muito se tem que evoluir no aspecto filosófico dos jogos para que se valha como arte, tanto que o que o texto retrata, o 'Cidadão Kane dos jogos' reflete essa imaturidade.
23/06/2013 às 16:14
Parabéns pelo artigo, muito bom!
A coisa que eu mais vi nessa geração, foram críticos de video-game falando a cada novo título AAA que era um jogo revolucionário e perfeito. O que, é claro, é mentira.
Muitos desses tais jogos "revolucionários" ficaram marcados apenas por alguns meses, perto do período de lançamento, como foi o caso com Tomb Raider(O reboot) jogo que ninguém mais se lembra ou cita.

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