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O Futuro: Seu e dos Jogos
Postado por Adriano Francisco

Dias atrás eu estava pensando sobre minha velhice, não sou tão velho assim, mas pensar no assunto me deixou um pouco desconfortável. Só o fato de saber que estou envelhecendo desde o momento em que nasci e que não consigo fazer nada para impedir isso já é motivo suficiente para perder uma noite de sono. É claro que esse tipo de abordagem do curso natural da vida é um tanto quanto inútil, não me ajudou em nada, mas a questão que ficou em minha mente foi sobre o que farei na minha velhice. Sou gamer e cresci jogando videogames, nascido em 1985, aproveitei quase todas as plataformas durante suas respectivas gerações. A questão é se eu continuarei jogando mesmo depois de velho. Hoje é fácil acreditar que sim, que continuarei jogando, mas será mesmo que esse amor pelo games se estenderá por muitas décadas? Vamos amadurecer essa ideia, vamos trabalhar um pouco mais esse tema.

 

Idade x Lazer
>Hoje em dia estamos presenciando uma mudança na atitude da terceira idade e principalmente na aceitação da sociedade para que essa mudança aconteça de verdade. Muitos idosos frequentam bailes, fazem viagens longas, cruzeiros, namoram, passeiam, gastam e fazem a economia girar. O mundo não estava preparado para esse tipo de mudança, as pessoas tinham poucas alternativas quando chegavam na terceira idade, mas com o tempo o cenário foi mudando, as empresas enxergaram uma fatia do mercado consumidor que estava abandonada, carente de opções, sendo que eram consumidores sustentáveis, com renda própria e que estavam dispostos a gastar o que for preciso para aproveitar essa nova fase de suas vidas. As opções foram surgindo, se adaptando e hoje é um público muito bem visto em diversos aspectos econômicos. O fato é que isso não era nada comum. O padrão era envelhecer e aguardar a morte, já descansando, evitando viagens longas, se dedicando aos netos, bisnetos e recebendo os parentes em casa, até o dia da morte. Isso era normal, aceitável, mas alguém começou a pensar diferente, ousou ser um idoso bacana, ousou viver se divertindo e levou consigo uma multidão de velhinhos que hoje se divertem mais do que muitos jovens por aí.

 

Eu citei essa mudança justamente por essa se adaptar a geração atual de idosos, que eram pessoas que a sua juventude tinham hobbies, dançavam, se divertiam e tiveram uma pausa durante a criação dos filhos, mas decidiram voltar a ativa. Se na juventude eles gostavam de dançar, fica claro que hoje, na terceira idade, eles tiveram a oportunidade de voltar a dançar. Trazendo isso para o cenário atual, onde temos pessoas que cresceram jogando, é normal imaginar que no futuro o cenário se adapte a nós, com isso, teremos jogos ou locais apropriados para jogadores da terceira idade. Imagine você, na terceira idade jogando o mais novo jogo do Super Mario, podendo escolher não só a dificuldade do jogo, mas também escolher a abordagem do jogo: Junior, Pleno ou Sênior. Seria épico! Hahaha. O mercado se adaptando ao consumidor, se adaptando a um tipo de consumidor que ainda não se existe hoje, mas que no futuro poderá surgir e uma nova fatia com oportunidades de lucro estará disponível para ser explorada. Seria tolice pensar que isso não é totalmente possível.
Velho e sem opções
Não adianta nada o mundo me dar oportunidades na velhice se eu não estiver mais afim de jogar. Tenho medo do rumo que a indústria está tomando, tenho receio dos tais jogos com abordagens cinematográficas, quando a produtora não se decide se quer lançar um jogo ou se quer lançar um filme interativo. Acho que tem espaço para ambas as abordagens sim, acho que podemos sobreviver com jogos que foquem no gameplay tradicional e jogos voltados aos famosos Quick Time Events. O mercado de games pode seguir com essas opções, mas o problema é quando o consumidor não consegue diferenciar a verdadeira experiencia gamer de um filme interativo, pois caso isso aconteça, teremos uma fase transitória que pode muito bem fundir o universo cinematográfico com o universo gamer. Não acredito que essa seja a melhor opção para o futuro dos games e espero que tudo não passe de um receio infundado da minha parte, mas o fato é que o mercado atual está em fase de descoberta, estão tentando decidir qual caminho tomar, para onde os games devem seguir e é claro que será a abordagem que conceder maior lucro e se olharmos a situação atual, a tal corrida gráfica, onde o foco é somente no visual do game, já podemos perceber que será difícil manter os games com a proposta mais antiga em alta.

 

Se o mercado seguir esse caminho, será difícil manter meu interesse nos games. Não estou procurando esse nível de interação onde eu apenas tenho que apertar o botão certo, na hora certa e continuar assistindo o resto do tal jogo. Espero sinceramente que isso não aconteça e que o mercado consiga se equilibrar, dando opções de escolha ao jogador. As empresas Indies estão fazendo um belo trabalho e espero que as grandes sigam o mesmo caminho. Na falta de games atuais de qualidade na minha tão planejada velhice, ainda terei o acervo de jogos antigos, os games retros, que servirão de combustível para recordar a era de ouro dos games.

 

Mantendo a chama acesa
As vezes eu ligo meus vídeo games antigos. Só por prazer mesmo. Montar o mesmo na TV de tubo, assoprar o cartucho do game que jogarei e sentar de pernas cruzadas na frente da TV. Tudo isso gera uma descarga de nostalgia incrivelmente potente em mim, me faz voltar no tempo, quando era criança/adolescente e minhas maiores preocupações estavam em qual jogo alugarei para o final de semana. É claro que isso não faz parte da minha rotina diária, infelizmente, tanto por falta de espaço físico como por falta de tempo, mas sempre que posso eu visito minhas raízes. Isso me faz muito bem. Não estou dizendo que a geração atual não me satisfaça, muito pelo contrário, pois acredito estarmos vivendo na melhor geração de todos os tempos, pois nunca antes tivemos tantas opções de jogos, para todos os públicos, gostos e idades. A geração é magnífica e incrivelmente acessível. Mesmo assim eu volto no tempo, não posso evitar, ali eu tenho jogos que carregam emoções da época em que joguei. Jogar Battletoads no NES é relembrar uma época em que eu me dava o luxo de jogar, morrer, voltar a jogar, morrer, decorar cada canto, morrer de novo, voltar a jogar, avançar uma ou duas fases adicionais, morrer e voltar a jogar. Isso era possível na época.

 

Jogar Streets of Rage 2 no Mega Drive é lembrar o tempo em que eu vi o jogo rodando pela primeira vez na locadora e toda a expectativa em esperar para jogar um dos jogos mais fantásticos da minha vida gamer.

 

Jogar Super Mario 64 é lembrar do meu falecido avô, na sala de casa, rindo comigo enquanto eu curtia meu Nintendo 64. Estou mantendo a chama acesa. É difícil para algumas pessoas aceitarem que nossas recordações são valiosas o bastante para largarmos um jogo da geração atual e voltarmos a jogar um game antigo. Hoje existe um certo movimento na internet que faz com que o jogador retro seja visto como abandonado, como se sua geração já tivesse passado e isso é triste. Todos envelhecemos e conheço muitos jogadores como eu, retro, que ainda se divertem com jogos atuais, que viveram e vivem experiencias incríveis com games e que se imaginam envelhecendo, jogando, sem parar. Nós nascemos com o controle na mão, sopramos fitas, limpamos cds, compramos dvd/blu-ray, sabemos o que queremos e não estamos deslocados. Temos prioridades que vão além dos jogos, temos familia, trabalho, responsabilidades adicionais, mas quando ligamos nosso video game, quando jogamos online, estamos de igual pra igual.

 

A velhice é aceitável, espero envelhecer, mas espero continuar jogando o suficiente. Não se admirem se levarem um headshot e ouvirem uma voz mais velha do outro lado dizendo: “Essa foi supimpa!”. O velho aqui está pronto pra abater alguns noobs durante muitos anos ainda e rir muito enquanto se ajeita no sofá pra diminuir a dor nas costas. Você já parou pra pensar no assunto? Não, não estou falando das minhas dores nas costas, estou falando do futuro dos games. Já parou para imaginar como o mercado de games se comportará no futuro e se você ainda estará interessado nos games que serão lançados? A tendência atual, com filmes interativos no lugar dos jogos como atualmente os conhecemos, é o que você espera do futuro? Comente!

 

COMENTáRIOS • site
Nebel Spieluhr
18/05/2015 às 20:28
Eu continuarei jogando, seja onde for, consoles, PCs, tablets, celulares ou smart TVs.
Existi cada vez mais diversidade no mundo dos agmes, mas em cada época alguns estilos ficam em alta.
Me lbro de quem só jogou na época do atari pq não se adaptou a geração seguinto, e o que escuto hoje não é mto diferente, o "já não é mais como antigamente", e realmente não é , quem bom.
Agora se está melhor ou pior, é mto mais subjetivo que objetivo, depende mto de gosto.
Virtua_Friend
18/05/2015 às 11:42
Na verdade não tenho nada contra, como o autor descreve que os novos jogos com gráficos e cinematografia como algo ruim ou perda da essência, desde que não deixa de ser um jogo, é bem vindo, um exemplo disso é TLOU que é uma perfeita união de jogabilidade, gráfico e cinematografia, isso se chama evolução.
Infelizmente a única que consegue manter e essência não é nem a Nintendo, são as empresas de jogos Indies e por fãs, onde na maioria são pessoas realmente apaixonadas e que transmite melhor da essência dos bons jogos antigos unido com o uso bom uso do hardware atual, sem perder a magia e sem nenhum intenção financeira. Veja um exemplo de um Donkey Kong feito por um fã (http://atributetodkc.com/), a versão do Super Nintendo era admirável por ser um jogo da época que tentava puxar o máximo de realismo gráfico em um jogo simples, divertido e nostálgico e onde vejo o contrario na versão do Donkey Kong do Wii e Wii U onde é um jogo cartunesco retro e barato me pergunto se fosse mão da Rare seria assim...
Posso ate estar errado, mas, no meu ver é uma questão de cada um no seu lugar ou época. cada um vai defender sua época da infância com um jogo, console ou marca como o melhor, hoje em dia vivemos em uma mistura de gerações, uma enorme diversidade onde nenhuma empresa não tem como agradar todo mundo, mais fica tentando, pode esta ai o erro, %Cnem Jesus conseguiu agradar a todos...(é bíblico)%D, sem contar com a intenção apenas financeira e segurar o consumidor com personagens, DLCs e ramakes.
Espero que as grandes empresas reaprendam a fazer jogos...
CorvoJoe
18/05/2015 às 10:13
Eu acho que há espaço para tudo e para todos, uma comparação simples, são os jogos AAA (o que incluí os cinematográficos) com Hollywood, gasta-se horrores e atraí multidões.

E temos os filmes independentes, que em geral são muito bons (subjetivo), como Amelie Poulain, Corra Local Corra, A Vida É Bela, dentre uma série de outros, tivemos nos jogos Guacamele e Shovel Knight recentemente como ótimos jogos, sem mencionar os jogos da Nintendo.

É a diferença entre quem tem dinheiro, e quem não tem, quem está na indústria para fazer fortuna e quem está por amor, sempre, eu digo sempre, vão existir ambos.

Do mais "vintage" está em alta (não vejo por que não usar essa palavra para video games e jogos antigos também), sempre haverá aquele jogo que há um desejo de jogar novamente, de jogar algo que sempre se teve vontade de jogar.

Envelhecer é o curso natural, só não pode deixar a alma, o espírito envelhecer, enquanto estiver lúcido e destreza suficiente para manusear um controle ou qualquer outra forma de jogar, estarei fazendo-o, ou num console de geração atual, ou num vintage, de preferencia, com meus filhos e netos.
Woozer
18/05/2015 às 01:01
O @ahlas possui uma vantagem sobre nós hereges que não jogaremos Xenoblade Chronicles X ... Quando ele for idoso ainda estará terminando de explorar o território do jogo
Oikram
17/05/2015 às 21:33
37 anos aqui e jogando desde a época do Odissey!
Tenho jogado muito indies como 'Ori and the Blind Forest' e 'Guacamelee' e os jogos da Nintendo ganharam mais espaço agora que tenho filhos que jogam comigo.
Resumindo, vocês vão continuar jogando, só vão ficar mais seletivos. Não vai ser qualquer jogo que vai chamar a atenção.
Visionnaire
17/05/2015 às 18:43
Valeu galera, alguns comentários aqui me dão ainda mais certeza de que não faltará material para jogarmos no futuro, se realmente os games penderem para o lado que tanto tememos onde não há tanta interatividade quanto estamos acostumados.
Legal ver que a galera curtiu o artigo.
Ahlas
17/05/2015 às 16:12
@Al-Rashid

QUEIMEM OS HEREGES!!!!

não, perae...
Liz
17/05/2015 às 02:27
Se o destino dos games forem os celulares e os ditos filmes interativos, largo mão também. Como o @bodii, games antigos para experimentar é o que não me faltará nunca! E assim como na infância, vou ter muuuito tempo livre para jogar novamente, quando for idosa!

Acho que outra coisa que me faria desistir dos games atuais, seria o abandono do controle. Creio que não me adaptaria com realidade virtual e derivados.
Al-Rashid
17/05/2015 às 01:13
@Ahlas HEREGE!!!!!
Ahlas
17/05/2015 às 00:54
O futuro é Xenodeuso. O passado e o presente também porque ele é eterno.
16/05/2015 às 23:57
@Al,

Na verdade porque ele não tem um final marcante no gameplay e então acabei me esquecendo dele, mas entraria na citação com certeza, mesmo sendo imaculado.

"melhor jogo da História humana"

E extraterrestre também!
Heartless
16/05/2015 às 22:53
Apesar de não me adequar a situação do autor, talvez nem devesse (confesso que o texto deixou-me confuso), realmente não tenho bons sentimentos quanto ao futuro da indústria. Não é maldade, mas realmente chegarmos ao ponto de ver empresas deixando os consoles de lado para sustentar smartphones é de doer. Eu confesso que jogo, mas LORD! Não trocaria minhas tardes de Mario 64 ou Final Fantasy Tactics por nenhum jogo mobile, e duvido que alguém me convença (até mesmo tu, Nintendo).

Sério, vou jogar. Esse texto fez-me preocupar de um dia em que eu possa me estranhar amanhã. Belo texto!
Woozer
16/05/2015 às 22:11
@Al um templo combina mesmo com Ocarina of Time :v

@Rich sinto-me na mesma onda quanto a jogos plataforma estão a caminho da extinção temo que num futuro esses jogos se tornem exclusivos de consoles Nintendo e até mesmo mobiles principalmente plataforma 2D
celomar
16/05/2015 às 21:05
Gostei muito deste artigo!
Al-Rashid
16/05/2015 às 20:44
@Pato eu sei pq não citou o Messias. Por que ele não pertence a esse mundo. TLOU quando nós todos partimos e formos pó, os filhos dos nossos descendentes terão feito um templo em homenagem ao melhor jogo da História humana
Rich-san
16/05/2015 às 18:10
Pra eu que gosto de j-rpg e jogos plataformas to contando os dias que pararei de vez de ligar pra qualquer jogo novo.
Os jogos de hj em dia em sua maioria buscam por transmitir uma narrativa ou promover uma competição online ou servir como se fosse um simulador de vidas e ambientes fantasiosos, eu vejo videogame como diversão e desafios como era na época dos 8,16,32 bits mas a indústria não dá mais bola pra esse tipo de game, sobrou apenas algumas dev indies, uns kickstarters e alguns joguinhos da loja virtual do console que ainda atende a esses gostos.
16/05/2015 às 17:36
Não me importo quanto a linha entre jogo e cinema estar cada vez mais curta, é só não esquecerem que existe um jogador e um controle e que o jogador quer se sentir no controle, mas não com apertar de botões programados, mas sim usando estratégias em um gameplay sólido. Na geração passada existem muitos jogos que buscaram estreitar ainda mais a linha tênue entre jogos e cinema, Max Payne 3, Zelda SS, Unchaterd 2, Spec Ops: The Line, Halo 4, entre outros que são legais por parecerem filmes de Hollywood mas também são legais por você ter o controle do que acontece na tela.

O problema maior está sendo cada vez mais o multiplayer online, como o do Black Ops, isso vai afastando os mais velhos, pois não temos tempo suficiente para nos aprimorar e quando vamos jogar levamos só porrada, lol, e não posso me esquecer dos jogos como The Order 1886 e Beyond Souls, são legaizinhos, mas também são afrontas para com a nossa inteligência. Bom, ainda mantenho o hobby e espero manter por muito tempo, pelo menos enquanto ainda existirem bons jogos.
Al-Rashid
16/05/2015 às 17:32
O autor do artigo esta se sentindo velho pq já não consegue reconhecer a essencia do videogame nos games atuais. Imagine quando vc for realmente idoso.
HunterFox
16/05/2015 às 17:23
Tô contigo. Bom saber que temos a mesma idade.
bodii
16/05/2015 às 17:18
Nao vou parar de jogar se os games virarem filmes interativos. A unica coisa que vai acontecer eh eu evitar as novidades e permanecer fiel aos games de geracoes passadas. Do Atari 2600, passando por Odyssey, Colecovision, Nes, PC engine, Megadrive, Saturn, Play Station, Wii, Ps4, fora os jogos de PC boxed ou Steam, arcades, etc... o universo de jogos que eu ainda nao joguei daria para preencher duas vidas.
Por isso, nao me importo.
CTemplarios
16/05/2015 às 17:02
Nada que jogar Xadrez não faça esquecer, esmagar botões e cinematografias não cabem aos gamers do passado.
Al-Rashid
16/05/2015 às 16:21
Em breve estarei jogando o jogo dos idosos mais hardcore: porrinha e dominó.

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